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O maior problema do São Paulo

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A divulgação da bronca de Rogério Ceni com a prancheta voadora atingindo o meia Cícero não é o grande problema do São Paulo. É a conseqüência dele. Muitas vezes, atribuem-se derrotas às discussões nos vestiários. Em várias delas, acontece exatamente o oposto. A derrota causa a discussão, não o contrário. Foi o caso da bronca que Rogério Ceni deu em jogadores como Rodrigo Caio e Júnior Tavares no dia quem a prancheta voou de sua mão e atingiu Cícero.

O entrevero deveu-se ao mau desempenho do primeiro tempo contra o Corinthians, na derrota por 2 x 0 da semifinal do Campeonato Paulista. Rogério está mais tenso do que se via como jogador, Cícero foi seu colega no elenco campeão da Copa Sul-Americana de 2012, mas nunca teve relacionamentos fáceis nos vestiários por onde passou. O problema entre os dois contorna-se.

A crise do São Paulo não  é causada pela prancheta voadora e o episódio do dia 15 de abril é a conseqüência de uma situação institucional que começou com Juvenal Juvêncio, passou pela renúncia de Carlos Miguel Aidar, avançou pela eleição acirrada entre Leco e Mesquita Pimenta e ainda  carrega a pimenta do pleito de um mês atrás. Assim que o São Paulo foi eliminado pelo Defensa y Justicia, uma pessoa ligada à oposição escreveu: ''Depois de mais uma eliminação, esta histórica, você continua dizendo que o São Paulo evoluiu?''

No aspecto econômico, claro que sim. No plano política, só regride e a mensagem acima indica isso, por fazer questão de deixar uma crise explícita, como se fosse o Corinthians de dez anos atrás ou o Palmeiras há cinco temporadas. O que a briga política tem a ver com as derrotas? Tira a concentração de quem tem de tomar decisões de cabeça fria e bem pensadas e passa a tomá-las pensando nas conseqüências políticas de cada passo.

Os maus resultados batem de frente em Rogério Ceni, que não será demitido exceto se a água começar a alcançar o pescoço e se a briga contra o rebaixamento passar a existir. É cedo para imaginar que isto ocorra. Os jogadores gostam do trabalho de campo de Rogério Ceni, mas é evidente a insegurança no vestiário, porque o nervosismo das derrotas angustia e cria a expectativa de uma nova explosão a cada gol sofrido. Não está bom.

Daí começa a respingar em outros pontos  da comissão técnica, como o preparador físico José Mário Campez, ameaçado de demissão, apesar de o número médio de lesões no Tricolor ser semelhante ao de Corinthians e Palmeiras neste início de ano. Serviria para que a demissão? Para dar satisfação à oposição. Não pode ser por isso.

O São Paulo não é assim. Verdade que no passado crises também explodiam, como a do dia em que Carlos Alberto e Fábio Santos trocaram ofensas no Centro de Treinamento da Barra Funda e foram afastados. Mas hoje há cenas de vestiário explícito, que não fazem bem à convivência entre os jogadores, porque aumentam a insegurança. Rogério Ceni já afirmou na entrevista coletiva pós eliminação da Copa Sul-Americana que o que termina com o trabalho de um treinador é perder o relacionamento com os jogadores.

Isto ainda não aconteceu. Há elogios a seus treinos e ao trabalho de campo. Mas as derrotas fazem os problemas aumentarem.Só as vitórias contra Avaí e Palmeiras, a soma de 15 pontos nos cinco jogos em casa até a oitava rodada podem dar a paz necessária para que o trabalho prossiga sem barreiras, até o final deste ano.