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São Paulo cobra alma e resolve problemas táticos internamente

PVC

08/03/2016 13h20

A entrevista coletiva do gerente de futebol, Gustavo de Oliveira, na manhã de terça-feira cobrou comprometimento do elenco do São Paulo. As declarações levaram ao entendimento de que falta alma e a diretoria concorda com isso. Não é assim. Ou pelo menos a falta de alma não não é todo o diagnóstico.

O desejo da diretoria era mudar muito mais o elenco em relação ao 6 x 1 para o Corinthians, em novembro. Mas não se fez a remodelação prevista para o elenco, porque seria impossível fazê-la com a condição financeira do final do ano. Todas as contratações chegaram sem custo na transferência e a única exceção foi Kieza, contratado com parte do que se arrecadadou com a negociação de Maicon para o Grêmio.

Os jogadores do ano passado mantiveram a crise de confiança no ambiente do ano passado, quando os salários atrasavam e as promessas não eram cumpridas no prazo combinado. Agora é diferente.

O salário está quitado, os direitos de imagem também e a promessa de não atrasar mais será cumprida religiosamente, garantia oferecida pelo novo contrato de TV assinado mês passado.

Se os jogadores cobraram publicamente os direitos de imagem devidos depois da derrota para o Strongest, agora é a vez da diretoria dizer que deseja mais do que o elenco está oferecendo. O trabalho regular não basta. É preciso dar mais, declaração de Gustavo de Oliveira. É o contraponto ao esforço da direção para quitar os débitos e acertar as bases para o novo time.

Neste aspecto, cobra-se comprometimento, sim. Cobra-se alma.

Mas há mais.

Há a percepção de que o modelo de jogo adotado nos três anos passados, com muita posse de bola, base no jogo de ataque e de cadência, já se desgastou com a torcida e é preciso ser mais intenso, mais forte, mais determinado. O escolhido para fazer essa transição é Edgardo Bauza. Todo mundo no Morumbi gostaria de ter Juan Carlos Osório, mas ele está na seleção mexicana e não existe outro treinador no mercado com filosofia semelhante. A opção é por um treinador argentino e conservador. Edgardo Bauza não será demitido e isso está claro para todos no vestiário do CT da Barra Funda.

Só que o elenco precisa estar comprometido com as mudanças táticas, que levam tempo. Comprometido com a ideia de que agora o time precisa ser compacto, rigoroso no cumprimento das funções defensivas, para depois de acertada a defesa arriscar no ataque. A defesa ainda não se montou. O time não está pronto e sofre.

A entrevista da manhã de terça-feira foi uma resposta da diretoria, uma cobrança que julgou necessária três semanas depois da exposição pública de que os jogadores não estavam felizes e os salários estavam atrasados. Agora é a hora dos jogadores responderem.

Mas não falta alma, ou pelo menos o problema não é apenas de comprometimento. As questões da formação da equipe estão sendo discutidas também no vestiário.

Sobre o Autor

Paulo Vinicius Coelho é jornalista esportivo, blogueiro do UOL, colunista da Folha de S. Paulo. Cobriu seis Copas do Mundo (1994, 1998, 2006, 2010, 2014 e 2018) e oito finais de Champions League, in loco. Nasceu em São Paulo, vive no Rio de Janeiro e seu objetivo é olhar para o mundo. Falar de futebol de todos os ângulos: tático, técnico, físico, econômico e político, em qualquer canto do planeta. Especializado em futebol do mundo.

Sobre o Blog

O blog tem por objetivo analisar o futebol brasileiro e internacional em todos os seus aspectos (técnico, tático, político e econômico), sempre na tentativa de oferecer uma visão moderna e notícias em primeira mão.

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