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Neymar e Coutinho fazem Brasil ter os dois mais caros do planeta

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Alguém dirá que, em 1997, Denílson foi o jogador mais caro do mundo ao ser contratado pelo Betis por US$ 35 milhões de dólares e que quebrava assim o recorde da venda de Ronaldo, do Barcelona para a Internazionale. Há controvérsias. O valor de Denílson circulou em várias cifras diferentes e o mais correto é considerar US$ 27 milhões. Se é assim, pela primeira vez o Brasil tem dois jogadores encabeçando a lista dos mais caros da história: Neymar (220 milhões de euros) e Coutinho (160 milhões).

Não que seja fundamental. No mesmo ano em que Ronaldo e Denílson eram vendidos por cifras incríveis, Ronaldo foi eleito o melhor do planeta pela Fifa e Roberto Carlos ficou em segundo lugar. É melhor ter os dois melhores jogadores do mundo do que ter os dois mais valiosos. Ainda que, de fato, Ronaldo e Roberto Carlos não formassem uma dupla e houvesse naquela década jogadores mais fantásticos do que o extraordinário lateral brasileiro.

Da época dos melhores do mundo para a fase dos mais caros, a distância é colossal. De verdade, às vezes as grandes transferências parecem merecer levar para a Europa o velho bordão do programa do Jô Soares, dos anos 1980: ''E ninguém vai preso!?'' Da lista dos dez mais caros da história, cinco foram negociados nos últimos doze meses: Neymar, Coutinho, Dembele, Lukaku e Van Dijk. Em junho, Mbappé se juntará ao quinteto, porque o Paris Saint-Germain terá de pagar 180 milhões de euros para tranformar obrigatoriamente o empréstimo do Monaco em compra.

Todas as seis transferências recordistas citadas custaram mais de 80 milhões de euros. Alguém aí ouviu falar em crise?
Os dirigentes do futebol europeu, não.
Como lembrança, quem se deslocou de Londres a Barcelona para sacramentar o negócio, semana passada, foi o agente de jogadores Kia Joorabchian.

Apesar de o mercado produzir números incompatíveis com a realidade, o Brasil tem pela primeira vez na história — ou segunda, se você levar em contra Denílson e Ronaldo — os dois mais caros de todos os tempos. Para quem julgava esta a pior geração de todos os tempos do Brasil, não é nada mau. Ainda que se espere pelo dia em que o Brasil volte a ter os dois melhores jogadores do mundo, em vez de os mais caros.