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O adeus em silêncio

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Se o jornalismo não estivesse em crise, se os jornais não convivessem com a crise do preço do papel, a manhã de quinta-feira seria épica. Dia de ler sobre dois personagens, para o bem ou para o mal. Sem maniqueísmo, mas contando suas histórias. Ronaldinho Gaúcho e Eurico Miranda terminaram suas trajetórias nesta quinta-feira.

Ronaldinho Gaúcho encerrou silenciosamente na quarta-feira, melancolicamente. Sem festa, sem jogo, com o irmão avisando aquilo que, na prática, já acontecia havia cinco anos. Ronaldinho parou!

Se, de fato, só ele não sabia, é de se pensar se deveria ser assim.

O adeus de Eurico Miranda é ainda mais definitivo, porque não haverá Roberto Dinamite capaz de reanimá-lo. Não, por causa de sua idade e do evidente desgaste de sua saúde. Era óbvio que Eurico Miranda não seria candidato à presidência se a perspectiva fosse de derrota. E a vitória de Júlio Brant é iminente.

Não é preciso gostar ou desgostar de Eurico Miranda. Mas é necessário biografá-lo. Contar suas histórias. Quando era diretor de seleções da CBF e, dentro da concentração, contratou Bebeto para o Vasco. Quando fez parte de sucessos cruzmaltinos como o título da Libertadores ou os Brasileiros de 1989 e 1997 ou quando ajudou a desperdiçar dinheiro do contrato do Bank of America, ou as dívidas mal explicadas e atrasos de salários que terminaram com a venda de Mateus Vital sexta-feira passada. O personagem merecia pelo menos uma página de jornal. Vicente Matheus, Márcio Braga, Delfino Facchina… Você pode amar ou odiar, mas é preciso contar suas histórias.

Ronaldinho, mais ainda.

Se Messi e Pelé o homenagearam pelas redes sociais… Se o jornalista Sid Lowe escreveu no diário londrino The Guardian… ''Ronaldinho, see? You're smiling already.'' (Ronaldinho, vê. Você já está sorrindo).

Não foi precoce o anúncio da aposentadoria, porque Ronaldinho parou há muito tempo. Mas é preciso contar sua história.

Incrível como a geração do penta parou em silêncio. Marcos, Cafu, Roque Júnior, Edmílson, Roberto Carlos, Ricardinho, Gilberto Silva, Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho, Dida, Belletti, Anderson Polga, Kléberson, Júnior, Denílson, Vampeta, Juninho Paulista, Edílson, Luizão, Kaká… O único que parou com festa foi Rogério Ceni e o único ainda profissional é o zagueiro Lúcio.

Ronaldo, Ronaldinho e Rivaldo.
São mitos. Ronaldo aposentou-se doze dias depois de perder para o Tolima, pelo Corinthians. Rivaldo nem sequer anunciou a aposentadoria, depois de passar em quase completo sigilo pelo Mogi Mirim. Ronaldinho aponsentou-se sem dar um lençol, nem sequer um chute.

No tempo das redes sociais, nem um clique. O silêncio contrasta com o que fizeram em campo os três gênios: Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho.