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Rosenberg prevê quebra pau para refinanciar dívida com Odebrecht

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O Corinthians será cuidadoso na renegociação com a Caixa Econômica Federal, para pagar os R$ 400 milhões do empréstimo do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES). Mas pretende ser duro na negociação com a Odebrecht, que cobra juros por ter colocado dinheiro de seu cofre, para adiantar a obra do estádio de Itaquera, enquanto o dinheiro do BNDES não era liberado.

A previsão é de Luis Paulo Rosenberg, que retomou seu posto de diretor de marketing do Corinthians e comandará a negociação da dívida da arena. ''Vamos pagar tudo o que devemos dos R$ 450 milhões do BNDES. O restante vai ser um quebra pau bom'', diz Rosenberg.

Sua leitura é a de que o valor de R$ 1,17 bilhão, admitido pelo presidente Andrés Sanchez em entrevista coletiva na terça-feira (6), só é alcançado por causa dos juros cobrados pela Odebrecht. ''Nós não tínhamos urgência do estádio e não precisávamos que a construtora colocasse dinheiro dela, enquanto não saía o empréstimo. Isto só aconteceu por causa da Copa do Mundo. Nós iríamos construir nosso estádio do mesmo jeito. Não importava que o inaugurássemos em 2016'', argumenta Rosenberg.

Há um ano, quando cogitou-se que Roberto de Andrade convidasse Luis Paulo Rosenberg a retornar ao cargo que ocupou entre 2007 e 2013, já havia a informação de que o Corinthians deveria discutir com a construtora o valor dos juros. Não só com o argumento de que a Copa do Mundo encareceu o projeto, por causa da urgência. Também pela questão política que envolve a Odebrecht desde o início da operação Lava Jato.

Tudo indica que haverá uma negociação longa e acirrada entre Corinthians e Odebrecht. Dadas as condições políticas da construtora, parece claro que o Corinthians tem o direito de ir nesse caminho. Também pelo fato de a Odebrecht não ter concluído o acabamento do estádio até hoje. Mas é improvável que o clube consiga se livrar de pagar 100% dos juros.

Com a Caixa Econômica Federal, repassadora dos R$ 400 milhões do BNDES, a negociação será mais branda. O Corinthians deixa claro que pagará os R$ 400 milhões e pelo menos mais R$ 50 milhões por precisar fazer um novo acordo de financiamento. Por esta razão, Rosenberg fala em R$ 450 milhões. De um ano para cá, o Corinthians acertou novas condições com a Caixa, mas não assinou o novo documento no final da gestão Roberto de Andrade, o que aumenta a desconfiança do banco federal.

''Perdemos um ano'', diz Rosenberg, sobre a possibilidade levantada em 2017 de que ele conduzisse a renegociação ainda na gestão Roberto de Andrade. ''Se tivesse começado antes, eu já teria encaminhado a solução.''

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