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Presidente do Conselho pede que Peres e Rollo pensem no Santos

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A crise do Santos virou, na prática, uma nova eleição. Dia 29, os sócios do clube decidirão pelo impedimento ou não do presidente José Carlos Peres, em função das acusações de centralizar o poder, em vez de ouvir o Conselho Gestor, e de ser sócio de empresas que agenciaram jogadores de futebol. O que era um processo de impeachment virou, na prática, a escolha entre dois candidatos à presidência: José Carlos Peres x Orlando Rollo. Se Peres for impedido, o vice-presidente assumirá o cargo

Como poder moderador, ainda paira sobre a crise o ex-presidente Marcelo Teixeira. chefe do governo na Vila Belmiro entre 1991 e 1993 e de 2000 a 2009. Na sua opinião, há pouco a se fazer, porque o estatuto não permite a retirada de toda a chapa impedida. Nesta conversa, ele faz o diagnóstico da situação e pede aos dois postulantes à presidência que pensem mais no clube do que neles mesmos:

PVC – O que se tira desta crise política do Santos?
MARCELO TEIXEIRA –
A situação é gravíssima. Principalmente porque não se enxerga ninguém preocupado com o clube. Criou-se um ambiente terrível, em que funcionários não sabem a quem obedecer, na disputa entre os dois. Um lado acusa o presidente de fazer tudo sozinho. De outro, há quem pense que o Peres se viu forçado a fazer assim, pela pressão que recebeu.

PVC – O Conselho Deliberativo tem algo a fazer para diminuir o problema?
MARCELO TEIXEIRA – Infelizmente, não. Porque o estatuto diz que em caso de impedimento, o vice-presidente assume o posto. O que podemos fazer é pedir para que todos pensem no Santos. Hoje, parece que ninguém está preocupado com o clube. É uma situação sem precedentes.

PVC – Seu pai, Milton Teixeira, assumiu a vice-presidência depois da renúncia de um presidente, Rubens Quintas. Nem ali foi tão grave?
MARCELO TEIXEIRA – Não foi tão grave, porque o Quintas renunciou em função de não conseguir lidar com a crise financeira e porque o time não se classificou para a Taça de Ouro. Era um problema mais esportivo do que político, como é agora.

PVC – E quando caiu o presidente Miguel Kodja Neto, em 1994?
MARCELO TEIXEIRA – Também foi diferente, porque se optou por uma empresa que ajudaria o Santos. Deveria ter olhado e analisado melhor a empresa, mas a crise se deu, porque a empresa não se mostrou preparada. Agora, o Santos virou alvo apenas de manchetes negativas, por causa dessa disputa.

PVC – Virou uma nova eleição?
MARCELO TEIXEIRA – Na prática, sim. Conheço o Orlando há muito tempo. Ele foi meu aluno. Sempre teve esse estilo. Os sócios vão decidir o que vai acontecer, com responsabilidade. Sei que se a chapa fosse diferente, talvez o Peres tivesse ainda mais problemas. É incrível como ele perdeu o apoio rapidamente, mas muita gente não quer o Orlando Rollo, também. Peço só que todos pensem no Santos Futebol Clube.

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