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Por que votei em Cristiano Ronaldo

PVC

24/09/2018 17h57

Pelo segundo ano seguido, tive a honra de ser um dos eleitores do prêmio The Best.

Havia muitos argumentos para eleger Modric ou Salah como melhor jogador do ano.

Muitos outros para não escolher nenhum deles.

Modric não foi o líder de passes para gols, nem artilheiro do Campeonato Espanhol, nem da Liga dos Campeões. Não foi o destaque do Real Madrid na campanha do terceiro título europeu consecutivo. Nem de longe.

Para Salah, era mais fácil encontrar argumentos favoráveis. O maior goleador estrangeiro de uma temporada da Premier League com 32 gols, ficou a dois do recorde de Alan Shearer, de 1995.

Também conduziu o Liverpool na incrível campanha do vice-campeonato da Champions League, eliminando o favorito Manchester City, de Josep Guardiola, nas quartas-de-final. Mas, no Campeonato Inglês, o Liverpool ficou em quarto lugar. Não passou nem perto da briga pela taça que não é sua desde 1990.

E o Egito não passou da fase de grupos na Copa do Mundo.

A Croácia foi vice-campeã. Só que Modric fez dois gols e ofereceu uma assistência na Rússia. Cristiano Ronaldo marcou quatro gols e não deu nenhum passe. Nem nesse critério, Modric participou de mais gols.

A presença de Modric na final do prêmio The Best indica a importância da Copa do Mundo. Quem votou no croata olhou para o mundial de seleções, mais do que para as competições de clubes.

Na temporada regular, Cristiano marcou 26 gols no Campeonato Espanhol, 15 na Champions League, deu cinco passes para gols na Liga Espanhola, três na Champions League. Modric fez um gol e seis passes na Espanha, um gol e uma assistência na Champions.

O placar de gols mais passes na soma de Campeonato Nacional, Champions League e Copa do Mundo é: Cristiano Ronaldo 53 participações em gols, Modric 12.

Salah teve 58 participações. Foram 32 gols e 10 passes na Premier League, 10 gols e 4 passes na Champions League, 2 gols na Copa do Mundo. São argumentos muito fortes para votar nele.

Mas não venceu nenhum dos torneios. Razão para não votar.

A era Cristiano Ronaldo x Messi chegou ao fim após dez temporadas dividindo o título de melhor do planeta. Não por causa do prêmio The Best, da Fifa, mas porque os negócios do futebol separaram os dois gênios. Messi, no Barcelona, Cristiano Ronaldo, na Juventus.

Meu voto foi Cristiano Ronaldo em primeiro, Mbappé em segundo, Messi em terceiro, na temporada completa.

Um voto é uma preferência. Você pode preferir diferente. Mas a comparação de Salah, Modric e Cristiano pelo que fizeram e conquistaram na temporada 2017/18 ainda parece absurdamente favorável ao português.

É justo falar sobre outros erros. A deselegância do português não comparecer à cerimônia para cumprimentar o novo eleito. Ou da Fifa de mudar a data da premiação.

Cristiano Ronaldo deveria cumprimentar Modric.

Mas o croata não é o melhor jogador do mundo.

Sobre o Autor

Paulo Vinicius Coelho é jornalista esportivo, blogueiro do UOL, colunista da Folha de S. Paulo. Cobriu seis Copas do Mundo (1994, 1998, 2006, 2010, 2014 e 2018) e oito finais de Champions League, in loco. Nasceu em São Paulo, vive no Rio de Janeiro e seu objetivo é olhar para o mundo. Falar de futebol de todos os ângulos: tático, técnico, físico, econômico e político, em qualquer canto do planeta. Especializado em futebol do mundo.

Sobre o Blog

O blog tem por objetivo analisar o futebol brasileiro e internacional em todos os seus aspectos (técnico, tático, político e econômico), sempre na tentativa de oferecer uma visão moderna e notícias em primeira mão.

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