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Rogério Ceni é a maior novidade entre os técnicos

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22/10/2018 14h02

A maior festa do futebol brasileiro na semana passada aconteceu em Fortaleza. Três dias seguidos de festividades, pelo centenário do Tricolor de Aço, completado na quinta-feira, 18 de outubro. No sábado (20), mais festa com o Castelão abarrotado, com 57.223 torcedores para assistir ao Fortaleza em sua trajetória de retorno à Série A após 13 temporadas. Terminar o jogo com a mesma alegria com que começou dependia da vitória. O Paysandu amarrava a partida.

O Fortaleza, no seu conhecido 4-3-3, ousou. Rogério Ceni tirou o zagueiro Jussani e colocou o atacante Wilson, o mesmo que começou a carreira no Corinthians. Passou a ter dois centroavantes e um volante completando a linha de quatro quando o Paysandu subia ao ataque.

Aos 48 do segundo tempo, Gustavo, o Gustagol, ex-Corinthians, marcou o gol da vitória.

No país da bola parada e do contra-ataque, o Fortaleza tenta sempre construir as vitórias no ataque. Não tem o maior número de gols da Série B. Está atrás do Goiás e do Atlético Goianiense. Também não possui a defesa menos vazada, atrás do Vila Nova e da Ponte Preta. Mas é a equipe com mais trocas de passes e mais posse de bola.

O Fortaleza está a quatro pontos do índice que levou o Paraná ao acesso, ano passado. A confirmação matemática do retorno à elite pode demorar de duas a três rodadas, mas o destino está traçado.

Quem conversa com Rogério Ceni percebe um treinador sereno, leve. "Nunca tivemos um técnico que nos ouvisse tanto", diz o analista de desempenho, Leandro Costa. A entrevista de Leandro já havia sido publicada na coluna "Destinos Cruzados", publicada na Folha de S. Paulo, em 26 de setembro.

Rogério sinalizava querer um jogo ofensivo desde seu ano sabático de 2016, antes de assumir o São Paulo. Na passagem pelo Morumbi, como treinador, não foi vilão. O São Paulo estava diferente do que está atualmente. Não era fácil trabalhar lá, especialmente no primeiro exercício como técnico. Aos poucos, Rogério se despede do ídolo, que viverá para sempre na memória e no afeto dos são-paulinos. Entra em outra roupa, a de treinador ousado.

Não existe futebol de qualidade sem treino e Rogério esbarrará no calendário quando voltar a dirigir um time de Série A. Talvez em 2019. Mas a trajetória pelo Fortaleza apresenta ao Brasil um treinador moderno, que ouve e compartilha decisões e que sempre está disposto a buscar o gol.

Sobre o Autor

Paulo Vinicius Coelho é colunista da Folha de S. Paulo, comentarista da Fox e blogueiro do UOL. Jornalista desde os 18 anos, descobriu ao completar 36 que já tinha mais tempo de jornalismo do que de sonho. Ou seja, mais anos no exercício da profissão do que tinha de idade quando publicou sua primeira matéria. Trabalhou na revista Placar, diário Lance!, ESPN Brasil, cobriu as Copas de 1994, 1998, 2006, 2010 e 2014, esteve em sete finais de Champions League.

Sobre o Blog

O blog tem por objetivo analisar o futebol brasileiro e internacional em todos os seus aspectos (técnico, tático, político e econômico), sempre na tentativa de oferecer uma visão moderna e notícias em primeira mão.

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