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Especial Boca-River - Capítulo 2

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08/11/2018 13h08

QUANDO OS ARGENTINOS DESCOBRIRAM A LIBERTADORES

O Peñarol foi o primeiro campeão e bicampeão da Libertadores, em finais contra o Olimpia, do Paraguai, e o Palmeiras. No ano seguinte, na terceira disputa do torneio continental, o Santos conquistou o primeiro troféu para o Brasil. O Peñarol foi vice. Só em 1963 o futebol argentino acordou para a necessidade de montar um time capaz de vencer. O Boca Juniors foi o primeiro finalista.

Se você duvida que o olhar mudou para a Libertadores em 1963, o livro "Más de un siglo Azul e Amarillo", de Diego Ariel Estévez, soluciona a questão. O capítulo sobre aquele Campeonato Argentino começa com o título "Cabeza en otro lugar." Está claro que o interesse xeneize não estava no Campeonato Argentino. Estava na Libertadores.

O Boca estava repleto de brasileiros, herança do início dos anos 1960, quando surgiu a campanha Futebol Espetáculo. Para apagar o vexame na Copa de 1958 – levou 6 x 1 da Tchecoslováquia – os argentinos tentaram levar mais público aos estádios com contratações de jogadores brasileiros, o país campeão mundial na Suécia. Chegaram Almir Pernambuquinho ao Boca, Delém ao River Plate, nessa época.

Em 1963, o Boca Juniors ainda tinha Orlando Peçanha e Paulo Valentim.

E contratou mais. Corbatta, ex-Racing, e Sanfilippo, do San Lorenzo. Do Brasil, chegaram Ayres, irmão de Almir Pernambuquinho, e Del Vecchio, ex-Santos. Do Paraguai, Benicio Ferreyra, e o zagueiro uruguaio Silvera, do Barcelona, da Espanha. Um timaço.

Não foi suficiente para ganhar o Campeonato Argentino, vencido pelo Independiente. Este seria o primeiro clube argentino campeão da Libertadores, no ano seguinte.

Para o Boca, a campanha prioritária era a do torneio continental. Eliminou o Olimpia e Universidad de Chile, na fase de grupos, e passou pelo Peñarol, por 2 x 1, com dois gols de Paulo Valentim, e 1 x 0, anotado por Sanfilippo.

Então chegou o Santos de Pelé.

Derrotas por 3 x 2, no Maracanã, e 2 x 1, em La Bombonera. Nenhum time brasileiro conseguiu vencer na casa boquense depois do Santos de Pelé, até o Cruzeiro de Ronaldo, em 1994.

Aquele Boca jogava muito.

Só não podia com Pelé.

Sobre o Autor

Paulo Vinicius Coelho é colunista da Folha de S. Paulo, comentarista da Fox e blogueiro do UOL. Jornalista desde os 18 anos, descobriu ao completar 36 que já tinha mais tempo de jornalismo do que de sonho. Ou seja, mais anos no exercício da profissão do que tinha de idade quando publicou sua primeira matéria. Trabalhou na revista Placar, diário Lance!, ESPN Brasil, cobriu as Copas de 1994, 1998, 2006, 2010 e 2014, esteve em sete finais de Champions League.

Sobre o Blog

O blog tem por objetivo analisar o futebol brasileiro e internacional em todos os seus aspectos (técnico, tático, político e econômico), sempre na tentativa de oferecer uma visão moderna e notícias em primeira mão.

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