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Especial Boca-River – Capítulo 2

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QUANDO OS ARGENTINOS DESCOBRIRAM A LIBERTADORES

O Peñarol foi o primeiro campeão e bicampeão da Libertadores, em finais contra o Olimpia, do Paraguai, e o Palmeiras. No ano seguinte, na terceira disputa do torneio continental, o Santos conquistou o primeiro troféu para o Brasil. O Peñarol foi vice. Só em 1963 o futebol argentino acordou para a necessidade de montar um time capaz de vencer. O Boca Juniors foi o primeiro finalista.

Se você duvida que o olhar mudou para a Libertadores em 1963, o livro ''Más de un siglo Azul e Amarillo'', de Diego Ariel Estévez, soluciona a questão. O capítulo sobre aquele Campeonato Argentino começa com o título ''Cabeza en otro lugar.'' Está claro que o interesse xeneize não estava no Campeonato Argentino. Estava na Libertadores.

O Boca estava repleto de brasileiros, herança do início dos anos 1960, quando surgiu a campanha Futebol Espetáculo. Para apagar o vexame na Copa de 1958 – levou 6 x 1 da Tchecoslováquia – os argentinos tentaram levar mais público aos estádios com contratações de jogadores brasileiros, o país campeão mundial na Suécia. Chegaram Almir Pernambuquinho ao Boca, Delém ao River Plate, nessa época.

Em 1963, o Boca Juniors ainda tinha Orlando Peçanha e Paulo Valentim.

E contratou mais. Corbatta, ex-Racing, e Sanfilippo, do San Lorenzo. Do Brasil, chegaram Ayres, irmão de Almir Pernambuquinho, e Del Vecchio, ex-Santos. Do Paraguai, Benicio Ferreyra, e o zagueiro uruguaio Silvera, do Barcelona, da Espanha. Um timaço.

Não foi suficiente para ganhar o Campeonato Argentino, vencido pelo Independiente. Este seria o primeiro clube argentino campeão da Libertadores, no ano seguinte.

Para o Boca, a campanha prioritária era a do torneio continental. Eliminou o Olimpia e Universidad de Chile, na fase de grupos, e passou pelo Peñarol, por 2 x 1, com dois gols de Paulo Valentim, e 1 x 0, anotado por Sanfilippo.

Então chegou o Santos de Pelé.

Derrotas por 3 x 2, no Maracanã, e 2 x 1, em La Bombonera. Nenhum time brasileiro conseguiu vencer na casa boquense depois do Santos de Pelé, até o Cruzeiro de Ronaldo, em 1994.

Aquele Boca jogava muito.

Só não podia com Pelé.