Topo
Blog do PVC

Blog do PVC

Categorias

Histórico

Especial Boca-River - Capítulo 3

PVC

2009-11-20T18:10:22

09/11/2018 10h22

ARGENTINA TRATA SUPERCLÁSICO COMO QUESTÃO DE ESTADO

O governo argentino trata a decisão da Libertadores, entre Boca Juniors e River Plate, como questão de estado. Há uma semana, o presidente da República, Mauricio Macri, concedeu entrevista ao vivo ao programa FOX Sports Radio, de Buenos Aires, e anunciou que haveria permissão especial para duas torcidas nos dois SuperClásicos. O projeto foi vetado durante a semana pela polícia e pela Justiça. Mas era desejo do governo federal.

Desde 2007, partidas de segunda e terceira divisões da Argentina são disputadas com presença exclusiva de aficionados do clube mandante. Em 2013, a procuradoria proibiu também a entrada dos fãs de dois clubes distintos em todas as rodadas do campeonato principal. A medida não reduziu o número de mortes. Nos dois anos sucessivos à proibição, houve pelo menos 40 mortes.

Atual presidente da República, Mauricio Macri declarou preferir que não houvesse final entre Boca Juniors e River Plate e que o perdedor demorará vinte anos para se recuperar. Mas, depois da definição dos finalistas, passou a fazer do futebol um cartaz de propaganda para o país, que sediará a reunião do G-20 no dia 28 de novembro. Promover dois jogos extraordinários, com festa e sem violência, tornará Boca Juniors x River Plate uma notícia positiva para o futebol no mundo todo. Será bom para a Argentina, consequentemente. A procura é pelo impacto midiático de um Real Madrid x Barcelona, mesmo que não seja visto em 200 países.

Antes de ser presidente da nação, Macri presidiu o Boca Juniors, entre 1995 e 2008. No período, contratou Diego Maradona e Claudio Caniggia, Fracassaram. Na seqüência, assinou com o treinador Carlos Bianchi, que montou a equipe de Riquelme, Palermo e Guillermo Barros Schelotto, bicampeã da Libertadores em 2000 e 2001. Bianchi venceu também a Libertadores em 2003 pelo Boca, já sem Riquelme, mas com Tévez e Delgado no ataque.

Embora a violência seja um capítulo freqüente do futebol argentino nos últimos trinta anos, foi há 50 o episódio mais trágico num River x Boca. No dia 23 de junho de 1968, segundo turno do Campeonato Metropolitano, o goleiro Amadeo Carrizo fez seu último SuperClásico e manteve o 0 x 0 com uma atuação de gala.

Na saída da torcida do Boca Juniors, pelo portão 12 do Monumental de Nuñez, ou as grades fechadas, ou os cassetetes da polícia — até hoje não há uma versão definitiva — provocaram o retorno de dezenas de xeneizes para as tribunas. A aglomeração provocou avalanches de pessoas caindo nos degraus das arquibancadas. Ao todo, 71 torcedores morreram, todas no setor separado para a hinchada do Boca Juniors.

Sobre o Autor

Paulo Vinicius Coelho é colunista da Folha de S. Paulo, comentarista da Fox e blogueiro do UOL. Jornalista desde os 18 anos, descobriu ao completar 36 que já tinha mais tempo de jornalismo do que de sonho. Ou seja, mais anos no exercício da profissão do que tinha de idade quando publicou sua primeira matéria. Trabalhou na revista Placar, diário Lance!, ESPN Brasil, cobriu as Copas de 1994, 1998, 2006, 2010 e 2014, esteve em sete finais de Champions League.

Sobre o Blog

O blog tem por objetivo analisar o futebol brasileiro e internacional em todos os seus aspectos (técnico, tático, político e econômico), sempre na tentativa de oferecer uma visão moderna e notícias em primeira mão.

Mais Blog do PVC