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O grande debate sobre o futuro do Palmeiras

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22/11/2018 13h32

Maurício Galiotte e Genaro Marino disputam a presidência do Palmeiras neste sábado, eleição na semana em que pode ser campeão. No início da década, eleições presidenciais eram repletas promessas de que o clube voltaria a ser protagonista. Hoje, o Palmeiras está à porta do segundo título brasileiro em três temporadas, com um vice-campeonato no meio. O resultado esportivo é inédito para os palmeirenses e só comparável ao São Paulo tricampeão de 2006/07/08 e ao Santos penta da Taça Brasil entre 1961 e 1965.

Ter Genaro Marino, apoiado por Paulo Nobre, em oposição a Maurício Galiotte, indica que o cenário melhorou. Há dez anos, apontavam-se quadros políticos velhos e viciados.

Isso não exclui o debate.

Há temas sérios demais, especialmente para um clube que já cedeu ao dinheiro da multinacional Parmalat e passou quinze anos para voltar a ter troféus depois do fim do contrato. Um desses assuntos é a dependência da Crefisa em contraponto à independência patrocinadora-conselheira que se jacta de distribuir presentes para seus seguidores.

Paulo Nobre publicou carta lembrando aos palmeirenses por que rompeu com Maurício Galiotte. Lembrou a aceitação de Leila Pereira no quadro de sócios com uma carta que atribuía sua entrada em 1996, quando na verdade foi em 2015. Mustafá Contursi, padrinho de Leila na época, hoje não troca com ela um simples aperto de mãos.

No entanto, a parte do Conselho Deliberativo que vota questões estratégicas do clube como se fosse uma discussão de vaga de garagem num condomínio, aprovou sua eleição como conselheira. A mesma parte de conselheiros segue à espera do próximo presente.

Não é assim que se faz a política de um clube protagonista.

Há conquistas na soma das gestões Paulo Nobre-Maurício Galiotte. Não se fala de um ou de outro, mas dos últimos seis anos. O Avanti foi dinamizado por Nobre, alcançou a marca de 109 mil torcedores em dia com seus pagamentos. A oposição acusa a queda de 40% do número de sócios Avanti. A referência é à quantidade de inadimplentes.

Os diretores e apoiadores de Galiotte contra argumentam com a receita crescente do programa de sócios torcedores. Perto de R$ 160 milhões, na soma dos Avantis com a bilheteria avulsa.

A média de público do Palmeiras saltou para 31 mil por jogo. A maior taxa de ocupação de um estádio no país (74%). Ainda representa 34% de arquibancadas vazias. A ambição é bater 75% de ocupação. Esse índice só terá validade se for um degrau para chegar aos 90%. Como objetivo final, seria pouco ambicioso.

O Avanti enche o estádio e dá dinheiro. É a maior conquista do Palmeiras dos últimos seis anos. Muito mais do que a Crefisa. Bem administrado, o Avanti é símbolo da soberania. A Crefisa, o risco de voltar ao pós Parmalat.

Enquanto distribui presentes, Leila Pereira rejeita comparações com a Parmalat. Impossível negar a semelhança. Apenas desconhecendo a história.

Alexandre Mattos garante que o Palmeiras começa a beber água limpa e que as divisões de base começarão a despejar talentos na equipe principal. É mais do que hora. Um clube protagonista não pode apenas depender do mercado de jogadores medianos postos à disposição por empresários de atletas. Os três maiores ídolos palmeirenses neste século são Marcos, Gabriel Jesus e Dudu. Dois deles nasceram na Academia.

Soberania e auto suficiência são temas inegociáveis. O Palmeiras não pode passar por seu processo eleitoral sem este debate, mesmo festejando o provável título brasileiro. Não se trata de rupturas e guerras políticas como as que marcaram a história verde. Trata-se de discutir o que o Palmeiras pretende para ser forte e soberano pelos próximos vinte anos.

Sobre o Autor

Paulo Vinicius Coelho é colunista da Folha de S. Paulo, comentarista da Fox e blogueiro do UOL. Jornalista desde os 18 anos, descobriu ao completar 36 que já tinha mais tempo de jornalismo do que de sonho. Ou seja, mais anos no exercício da profissão do que tinha de idade quando publicou sua primeira matéria. Trabalhou na revista Placar, diário Lance!, ESPN Brasil, cobriu as Copas de 1994, 1998, 2006, 2010 e 2014, esteve em sete finais de Champions League.

Sobre o Blog

O blog tem por objetivo analisar o futebol brasileiro e internacional em todos os seus aspectos (técnico, tático, político e econômico), sempre na tentativa de oferecer uma visão moderna e notícias em primeira mão.

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