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River Plate e o declínio da América no Mundial de Clubes

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2018-12-20T18:15:41

18/12/2018 15h41

O River Plate teve bom desempenho no primeiro tempo, período em que virou o jogo de 0 x 1 para 2 x 1 em apenas 14 minutos. Do gol de Marcus Berg, no segundo minuto, até Borré marcar pela segunda vez, aos 16. Controlou a primeira etapa com posse de bola e boa atuação de Pity Martínez, deslocado para a direita para aproveitar a fragilidade defensiva do lateral japonês Shiotani. O mesmo jogador era do Sunfrecce Hiroshima, derrotado pelo River por 1 x 0 na semifinal de 2015.

Apesar do controle da partida, o River Plate corria riscos em todos os contra-ataques do Al Ain, especialmente os que passavam pelo ponta-esquerda Caio. Pois foi o atacante, ex-América-SP e São Paulo nas divisões de base, quem aproveitou o início de segundo tempo em que os argentinos erravam passes fáceis. Pareciam desconcentrados. Num dos equívocos, Shiotani lançou Caio, que driblou Maidana e empatou a partida em 2 x 2.

O segundo tempo do River foi inexplicável. Inexistente. Mesmo assim, o lateral-esquerdo Casco foi derrubado por Mohammed, do Al Ain. Pênalti cobrado por Pity Martínez, no travessão. O Al Ain criou mais chances para fazer 3 x 2 do que o River Plate, antes de a partida seguir para a prorrogação.

A superioridade sul-americana nos jogos de mundiais de clubes, copas intercontinentais, era inquestionável até 1996, quando a sentença Bosman acabou na prática com o limite de estrangeiros no futebol europeu. Até ali, a América do Sul tinha 20 conquistas contra 14 da Europa. Desde então, somadas copas intercontinentais com mundiais de clubes, a Europa venceu por 17 troféus a cinco. Desde a derrota do Atlético para o Raja Casablanca, em 2013, só uma semifinal sul-americana terminou em noventa minutos. Só o River venceu o Sunfrecce Hiroshima por 1 x 0, em 2015. Ano passado, o Grêmio ganhou do Pachuca na prorrogação.

Há questões táticas, porque o centro do conhecimento do futebol tem como endereço a Europa. Há aspectos econômicos, mas é evidente que onde há mais bons jogadores há mais condição de montar boas equipes. O drama não é tanto este, mas a incapacidade de ter superioridade contra asiáticos, centro-americanos ou africanos. Sem os maiores talentos, mas com o favoritismo, cabe aos sul-americanos construírem o jogo. As antigas zebras podem aproveitar o espaço e o nervosismo dos campeões da Libertadores.

Marcelo Gallardo alertou antes da semifinal que não se podia perder a chance contra o Al-Ain e também que as últimas edições mostraram que a obrigação joga contra o representante da América do Sul. Salientava, no entanto, que ter disputado jogos competitivos até dez dias atrás poderia ser um fator favorável. Nem isso aconteceu.

O campeão da Libertadores não vai à final do Mundial pela quarta vez e deixa a certeza de que é preciso trabalhar muito para mudar o panorama mostrado nas últimas seis edições do Mundial de Clubes.

SEMIFINAIS
Terça-feira, 18/dezembro/2018
RIVER PLATE 2 x 2 AL AIN – 14h30
Local: Hazza Bin Zayed (Al Ain); Juiz: Gianluca Rocchi (Itália); Gols: Berg 2, Borré 11, Borré 16 do 1º; Caio 5 do 2º; Cartão amarelo: Pinola (9'), Shahat (49'), Borré (54'), Caio (60'), Mohammed Ahmed (79')
RIVER PLATE: 1. Armani (4), 29. Montiel (5), 2. Maidana (6,5), 22. Pinola (6) e 20. Casco (5,5); 26. Ignacio Fernández (4) (8. Quintero 10 do 2º (5,5)), 23. Ponzio (5) (11. De la Cruz 41 do 2º (sem nota)), 15. Palacios (5,5) (24. Enzo Pérez 10 do 2º (6)) e 10. Gonzalo Martínez (6,5) (32. Scocco, intervalo para a prorrogação (5)); 19. Borré (7) e 27. Pratto (6,5). Técnico: Marcelo Gallardo
AL AIN: 17. Eisa (7), 23. Mohammed Ahmed (5,5), 5. Ismail Ahmed (6), 14. Fayez (5) e 33. Shiotani (4,5); 13. Barman (6,5) (3. Amer 36 do 2º (6)), 16. Abdulhaman (5,5) (43. Yaslem 19 do 2º) e 3. Doumbia (6) (43. Yahya 2 do 2º da prorrogação (sem nota)); 74. Shahat (6), 9. Berg (6) (11. Al Ahbabi 29 do 2º) e 7. Caio (7). Técnico: Zoran Mamic

Nos pênaltis (4×5) – Caio (Gol), Scocco (Gol), Shiotani (Gol), Quintero (Gol), Al Ahbabi (Gol), Pratto (Gol), Amer (Gol), Borré (Gol), Yaslem (Gol), Enzo Pérez (Ejsa)

Sobre o Autor

Paulo Vinicius Coelho é colunista da Folha de S. Paulo, comentarista da Fox e blogueiro do UOL. Jornalista desde os 18 anos, descobriu ao completar 36 que já tinha mais tempo de jornalismo do que de sonho. Ou seja, mais anos no exercício da profissão do que tinha de idade quando publicou sua primeira matéria. Trabalhou na revista Placar, diário Lance!, ESPN Brasil, cobriu as Copas de 1994, 1998, 2006, 2010 e 2014, esteve em sete finais de Champions League.

Sobre o Blog

O blog tem por objetivo analisar o futebol brasileiro e internacional em todos os seus aspectos (técnico, tático, político e econômico), sempre na tentativa de oferecer uma visão moderna e notícias em primeira mão.

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