Topo
Blog do PVC

Blog do PVC

Categorias

Histórico

As novas camadas sociais dos grandes clubes brasileiros

PVC

2011-01-20T19:12:54

11/01/2019 12h54

Minha máquina de escrever Remington 25 chegou à minha casa, presente de aniversário, quando fiz 14 anos. Tratava-se de um plano maquiavélico de minha mãe querida. Dona Irene sempre quis meu bem, mas desejava mesmo que eu aprendesse a datilografar para arrumar emprego de office-boy mais rápido, no início do ano seguinte. Ingenuamente, coloquei minhas folhas de sulfite no braço da máquina e comecei a aprender a bater.

Ai, que coisa antiquada… máquina de escrever.

Aprendi a datilografar com os dez dedos, o que me faz ainda hoje ágil ao computador. Minha tia Yvone foi quem me ensinou que podia tabular. Pronto. Meu exercício diário era bater à máquina a escalação dos doze grandes clubes do Brasil.

Vamos combinar que não se dizia "doze grandes" naquela época. É uma invenção da revista Placar, que nunca citou os doze gigantes assim: "os doze grandes." Até preferiu o Clube dos 13, a partir de 1987. Mas toda publicação em Placar tratava fundamentalmente dos quatro do Rio, dos quatro de São Paulo, dos dois do Rio Grande do Sul e dos dois mineiros. Doze grandes, portanto. Para desespero do Flávio Gomes e do José Trajano, porque Portuguesa e América ficavam fora, num tempo em que podiam aparecer dentro.

Acontece que nos últimos cinco anos só Cruzeiro, Atlético, Palmeiras, Corinthians, Grêmio e Athlético Paranaense ganharam troféus nacionais ou internacionais. Os novos seis grandes…

Não, não.

Não se está resumindo a questão a estes troféus. Há, no entanto, uma claro redefinição de forças. Nos últimos cinco anos, todos os doze grandes, mais o Athletico Paranaense, ganharam alguma taça. A exceção é o São Paulo, que está na fila desde 2012.

Também não se vai resumir assim. Impossível deixar o São Paulo de fora.

O mercado de janeiro mostrou a divisão dos clubes em novas camadas sociais. Hoje, há um grupo de compradores: Flamengo e Palmeiras. Outro de investimento intermediário e conquistas expressivas: Grêmio, Cruzeiro e Corinthians. O São Paulo mostrou ser comprador em janeiro, mas não ganha nenhum título há seis anos. Parecem ser os seis mais poderosos. Os candidatos aos troféus nacionais e internacionais de 2019.

Os outros seis gigantes precisam definir seus lugares. Atlético e Internacional estão mais perto disso. O Santos estacionou em receita desde os tempos de Neymar. Virou vendedor até para o mercado brasileiro: Lucas Lima para o Palmeiras; Gabriel perdido para o Flamengo… O Botafogo caminha passo a passo, mas sabe que, em tese, só poderá voltar a brigar pelos títulos mais importantes daqui a algumas temporadas. Fluminense e Vasco parecem olhar para o passado e necessitam descobrir soluções para o futuro.

Pode ser rápido. Há quatro anos, o Palmeiras salvou-se de seu terceiro rebaixamento na última rodada do Brasileirão. Hoje, luta por todos os títulos.

O desenho descrito acima é real. Não é definitivo.

Sobre o Autor

Paulo Vinicius Coelho é colunista da Folha de S. Paulo, comentarista da Fox e blogueiro do UOL. Jornalista desde os 18 anos, descobriu ao completar 36 que já tinha mais tempo de jornalismo do que de sonho. Ou seja, mais anos no exercício da profissão do que tinha de idade quando publicou sua primeira matéria. Trabalhou na revista Placar, diário Lance!, ESPN Brasil, cobriu as Copas de 1994, 1998, 2006, 2010 e 2014, esteve em sete finais de Champions League.

Sobre o Blog

O blog tem por objetivo analisar o futebol brasileiro e internacional em todos os seus aspectos (técnico, tático, político e econômico), sempre na tentativa de oferecer uma visão moderna e notícias em primeira mão.

Mais Blog do PVC