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Flamengo só teve estreia com mais público com Zico e Sócrates juntos

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21/01/2019 11h47

A tarde de 16 de fevereiro de 1986 está na história como a única em que Zico e Sócrates jogaram juntos pelo Flamengo uma partida oficial. Era a primeira rodada do Campeonato Carioca, inaugurado com Fla-Flu. A dupla tinha disputado dois amistosos, contra o West Raffa, do Bahrein, e contra a seleção do Iraque. Contra o Fluminense, Zico marcou três vez e Bebeto fez o outro. Leomir, hoje assistente de Abel Braga, na Gávea, marcou para o Tricolor. Flamengo 4 x 1 Fluminense.

Havia 84 mil espectadores. Nunca mais o Flamengo levou tanta gente a uma estreia de Campeonato Estadual desde que Sócrates e Zico atuaram juntos. Nem mesmo numa abertura com Flamengo e Vasco, que reestreava Dirceu, em 1988. Daquela vez, trinta anos atrás, houve 37 mil espectadores, Maracanã com 18,5% de ocupação.

Houve 44 mil torcedores em Flamengo 0 x 3 Olaria, em 2005. Mas, desde 1986, o Flamengo não estreava num estadual com tanto público quanto contra o Bangu, no domingo (20). Foram 46 mil espectadores presentes, 43 mil pagando ingressos. A demonstração é de que há grande curiosidade com o time que gastou R$ 108 milhões para contratar De Arrascaeta (63), Gabriel (0), Rodrigo Caio (22) e Bruno Henrique (23).

Não se trata de interesse pelo Campeonato Carioca. Claro que não. A demonstração é de que a torcida não está pensando se o estadual vale muito ou vale pouco. O que vale para quem foi ao Maracanã é o Flamengo.

Vale muito em qualquer circunstância e a lógica vale para todos os clubes gigantes. Ano passado, o Cruzeiro estreou diante de 33 mil pessoas contra o Tupi e levou 45 mil à semifinal contra o mesmo adversário, de Juiz de Fora. Teve média de torcedores maior no Campeonato Mineiro do que no Brasileiro. Não porque o estadual valha mais. Porque, para o torcedor, vale mais ser campeão em sua aldeia do que oitavo lugar no Nacional. Na Copa do Brasil e na Libertadores, as médias cruzeirenses foram melhores.

A comparação rubro-negra, até mesmo com Campeonatos Brasileiros, registra raríssimas estreias com mais público do que os 46 mil de domingo, contra o Bangu. Em 53 participações no Campeonato Brasileiro, contabilizada a unificação, só cinco vezes o Flamengo inaugurou sua participação no torneio nacional com mais espectadores do que os 46 mil do domingo.

Aconteceu em 1980 (73 mil contra o Santos, no Morumbi), 1982 (85 mil contra o São Paulo, no Maracanã), 1983 (68 mil contra o Santos, no Maraca), 1985 (50 mil contra o Atlético) e 2013 (63 mil com mando do Santos, em Brasília).

Há de se considerar os 52 mil do ano passado, primeiro jogo do Brasileirão no Maracanã, despedida de Júlio César, contra o América Mineiro. E os 42 mil contra o Atlético, em 2017, que não superaram Flamengo x Bangu, mas se aproximaram. Nos últimos três anos, o Flamengo arrasta multidões, como só fez em inícios de campeonatos dos anos 1980. Até mesmo em 1976, recorde de espectadores do Campeonato Carioca em todos os tempos, o Flamengo estreou no Maracanã contra o Madureira diante de 30 mil torcedores.

Chame o torcedor que vai à arquibancada hoje em dia pelo nome que quiser: ele está interessado. Está claro que o Campeonato Carioca não o encanta. O que o seduz é seu clube. Ninguém vai ao Camp Nou para ver o Campeonato Espanhol ou a Copa do Rey. Vai ver o Barcelona. Os 46 mil que visitaram o Maracanã e produziram o maior público numa estreia do Flamengo em 32 anos foram ver seu time do coração. Isso vale muito mais do que qualquer campeonato.

Sobre o Autor

Paulo Vinicius Coelho é colunista da Folha de S. Paulo, comentarista da Fox e blogueiro do UOL. Jornalista desde os 18 anos, descobriu ao completar 36 que já tinha mais tempo de jornalismo do que de sonho. Ou seja, mais anos no exercício da profissão do que tinha de idade quando publicou sua primeira matéria. Trabalhou na revista Placar, diário Lance!, ESPN Brasil, cobriu as Copas de 1994, 1998, 2006, 2010 e 2014, esteve em sete finais de Champions League.

Sobre o Blog

O blog tem por objetivo analisar o futebol brasileiro e internacional em todos os seus aspectos (técnico, tático, político e econômico), sempre na tentativa de oferecer uma visão moderna e notícias em primeira mão.

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