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Corinthians dos clássicos defende e tem menos a bola

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2001-04-20T19:13:33

01/04/2019 13h33

O Corinthians do técnico camaleão, Fábio Carille, é diferente nos clássicos e na fase final do Campeonato Paulista do que foi em toda a fase de classificação. No torneio todo, o Corinthians tem o segundo maior índice de troca de passes e é o quarto colocado em posse de bola. Em média, roda 414 vezes a bola de pé em pé por partida e alcança 52,3% do tempo com a bola sob seu domínio. Nos quatro clássicos que disputou, não ficou mais de 50% do tempo com a posse nenhuma vez nem trocou mais de 300 passes.

Não é um problema. O Corinthians se molda diferentemente dependendo da característica do jogo e do adversário. Também se constrói no decorrer da temporada, porque foi quem mais contratou entre os clubes da Série A (12 jogadores) e porque metade dos titulares nunca tinha sido treinada por Fábio Carille antes. Foi um exercício de conhecimento de Carille com Sornoza, Danilo Avelar, Manoel, Júnior Urso e até mesmo Vágner Love, que não tinha trabalho diretamente como o Fábio Carille, na função de técnico.

Na fase de classificação, o Corinthians teve mais de 50% do tempo de posse de bola e mais de 400 passes trocados em oito dos doze jogos. Foi assim contra Ituano, Oeste, Botafogo, Novorizontino, Red Bull, Ponte Preta, Guarani e São Caetano. Na estreia, contra o Azulão, registrou-se o recorde de 706 passes e 72% de posse de bola. Empatou por 1 x 1.

Só não houve mais de 50% de posse e o Corinthians trocou menos de 400 passes contra o São Bento, São Paulo, Santos e Palmeiras. Nos clássicos é diferente. Na fase final, também. Contra a Ferroviária, em Araraquara, foram 366 passes, mas com 52,2% do tempo com bola no pé. Nos dois mata-matas em Itaquera, o Corinthians teve 38% de posse de bola contra a Ferroviária e 39% contra o Santos. A diferença também está no número de desarmes.

Nos dois clássicos contra o Santos, o Corinthians fez 22% de seus desarmes depois do meio-de-campo, no ataque. Contra o São Paulo, 27%. Contra o Palmeiras, quando se defendeu depois de fazer 1 x 0, cedo, o Corinthians fez só 9% das recuperações de bola pressionando a saída palmeirense. Naquele clássico, o Corinthians finalizou seis vezes, quatro no alvo. O Palmeiras chutou 25 vezes. Só uma exigiu defesa de Cássio.

Está claro que Fábio Carille quer ver seu time trocando cada vez mais passes e agredindo mais o adversário. Também é evidente que nem todo jogo permite o mesmo tipo de estratégia. Por isso, o Corinthians de Fábio Carille é um camaleão. Muda de acordo com o adversário.

Sobre o Autor

Paulo Vinicius Coelho é colunista da Folha de S. Paulo, comentarista da Fox e blogueiro do UOL. Jornalista desde os 18 anos, descobriu ao completar 36 que já tinha mais tempo de jornalismo do que de sonho. Ou seja, mais anos no exercício da profissão do que tinha de idade quando publicou sua primeira matéria. Trabalhou na revista Placar, diário Lance!, ESPN Brasil, cobriu as Copas de 1994, 1998, 2006, 2010 e 2014, esteve em sete finais de Champions League.

Sobre o Blog

O blog tem por objetivo analisar o futebol brasileiro e internacional em todos os seus aspectos (técnico, tático, político e econômico), sempre na tentativa de oferecer uma visão moderna e notícias em primeira mão.

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