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Por que Santos x Corinthians contribui para o debate do futebol

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2009-04-20T19:13:05

09/04/2019 13h05

O que o Santos podia fazer diferente? Empurrar o Corinthians para a defesa, obrigá-lo a jogar no mano a mano. Para quem conhece o trabalho de Jorge Sampaoli, isto parecia claro. Liberar Victor Ferraz como meia, abrir Carlos Sánchez como ponta, deixar Diego Pituca como vigia de Pedrinho, mas obrigar o corintiano a se preocupar com sua marcação, escalar Alisson como volante, mas observando a subida de Clayson. Era Gustavo Henrique e Aguilar com Gustavo, um na marcação, outro na sobra. O resto era atacar. Mano a mano na frente e atrás.

Não se trata de novidade tática.

Futebol é um jogo de espaço. Quanto mais espaço você ocupa no campo de ataque, mais obriga o adversário a preencher o campo de defesa. Ou a propor outra alternativa.

Ao Corinthians, pressionado, servia o desarme, a agressividade na marcação e o passe curto. Bola roubada, se o marcador fosse contundente, poderia se tornar posse de bola. Com a bola no pé, não se sofre gol, como se sabe.

Mas o Corinthians não conseguiu jogar assim. O camaleão Fábio Carille muda o estilo a cada partida. Avançou a marcação e dificultou o Santos no 0 x 0 da fase de classificação, compactou-se em dez metros e diminuiu o espaço do Santos, no segundo jogo, recuou e não esperou que Sampaoli fosse para o mano a mano no terceiro encontro.

A pergunta sobre futebol de resultados x futebol arte resume e diminui o debate. Ficou velho. O dilema é jogar bem. Significa, entender cada jogo como é.

De preferência, antes de acontecer, para prever, precaver-se e contrapor a estratégia do adversário.

Sampaoli ia para o mano a mano. Não é revolução. É briga por espaço.

A Fábio Carille faltou na segunda-feira o alerta de tempestade.

O Corinthians escapou.

O Rio de Janeiro, não.

O futebol brasileiro pode entender a discussão que o jogo propõe. É saber a hora de agredir e entender como deve ser a reação. Depende do jogo. Sampaoli nos lembra que podemos ser agressivos com a bola no pé. Mas que isso não depende só do drible. Depende da estratégia e da disputa de espaço.

Sobre o Autor

Paulo Vinicius Coelho é colunista da Folha de S. Paulo, comentarista da Fox e blogueiro do UOL. Jornalista desde os 18 anos, descobriu ao completar 36 que já tinha mais tempo de jornalismo do que de sonho. Ou seja, mais anos no exercício da profissão do que tinha de idade quando publicou sua primeira matéria. Trabalhou na revista Placar, diário Lance!, ESPN Brasil, cobriu as Copas de 1994, 1998, 2006, 2010 e 2014, esteve em sete finais de Champions League.

Sobre o Blog

O blog tem por objetivo analisar o futebol brasileiro e internacional em todos os seus aspectos (técnico, tático, político e econômico), sempre na tentativa de oferecer uma visão moderna e notícias em primeira mão.

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