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Ajax é uma escola de futebol em busca do gol

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2017-04-20T19:08:04

17/04/2019 08h04

O Ajax chega à semifinal porque tem um time extremamente talentoso. Voltar à semifinal da Champions após 22 anos significa o triunfo de uma filosofia que, sempre que adotada, leva a bons resultados em Amsterdã. O PSV, último holandês semifinalista da Champions, em 2005, pode apostar em jogadores médios e descobertas brasileiras, peruanas e asiátias. Quando disputou a semi contra o Milan em 2005, tinha o goleiro Gomes, o zagueiro Alex, o coreano Park, mais tarde vencedor pelo Manchester United.

O Ajax é diferente. É uma escola. Funciona quando descobre talentos em suas fileiras, sempre com a busca pelo gol.

A razão para jogar ofensivamente, contra a Juventus, é ter qualidade. Ter jogadores especiais como Frenkie De Jong, já negociado com o Barcelona. É o maior expoente desta geração. Mas há outros.

De Ligt estreou na seleção da Holanda em 2017, aos 17 anos, com uma atuação desastrosa contra a Bulgária. Foi criticado. Quem o conhecia pediu calma. Hoje, é um zagueiro estupendo, do nível de Van Dijk, do Liverpool. Foi o melhor em campo contra a Juve.

Van de Beek tem 21 anos. Rejeitou proposta da Roma e afirmou: "O Ajax é o lugar certo para meu desenvolvimento." É a diferença de David Neres, que saiu de um clube revelador do Brasil, o São Paulo, para atuar na Liga Holandesa, das menos avançadas da Europa.

No início dos anos 1990, havia um embate ideológico entre os adeptos de Johan Cruyff e Louis Van Gaal. Foram os dois últimos treinadores campeões europeus comandando a camisa branca e vermelha. Cruyff ganhou a Recopa de 1987 e apresentou ao mundo Marco Van Basten. Van Gaal foi o pai da geração de Kluivert, Overmars, Frankie e Ronald de Boer, Seedorf e Davids. Também prezava as revelações, mas era acusado por usar métodos mais robóticos.

Com Van Gaal, o time foi campeão da Champions em 1995, vice em 1996, semifinalista em 1997. Nunca mais havia voltado a ficar entre os quatro melhores.

As duas filosofias mais ou menos se misturam. Mas Cruyff teve muita influência no final de sua vida na filosofia do Ajax. Entre a saída de Van Gaal, para o Barcelona, em 1997, até o início dos anos 2000, o Ajax optou por contratações discutíveis e revelações vendidas rapidamente. Huntelaar não parou no Amsterdam Arena (hoje Johan Cruyff Arena). Sneijder jogou uma boa Champions League, mas logo foi para o Real Madrid. Ibrahimovic foi descoberto no Malmoe, brilhou com jogadas espetaculares e seguiu rapidamente para a Juventus.

Restavam jogadores medianos. Na última vez que chegou às oitavas-de-final, em 2006, o meio-campista tinha sido revelado em casa, Hedwiges Maduro. Era duro. Mesmo estilo de Nigel De Jong, famoso pela voadora que mereceu apenas cartão amarelo na final da Copa do Mundo contra a Espanha, em 2010.

O estilo tinha mudado.

O primeiro novo sinal de que havia voltado o talento aconteceu na campanha do vice-campeonato da Liga Europa de 2017. Apesar da derrota para o Manchester United, mais sólido, a equipe do técnico Peter Bosz apresentou o dinamarquês Dolberg, o meia Klaasen, atualmente no Werder Bremen, o marroquino Zyech, ainda titular na Champions, o jovem zagueiro De Ligt, antes de sua primeira convocação, o colombiano Dawinson Sánchez, atualmente no Tottenham.

A equipe era brilhante. Foi vice. Incrivelmente com duas campanhas memoráveis nas competições europeias, falta ganhar o título holandês desde 2014. A quatro rodadas do fim da temporada, hoje é o líder, mas com a mesma pontuação do PSV. O título nacional pode chegar, enfim. O da Champions é mais difícil. Mas também pode.

Peter Bosz foi para o Borussia Dortmund e fracassou. Na época do sucesso de Bosz, o atual treinador, Erik Ten Hag, estava no Twente. Foi sétimo colocado do Campeonato Holandês. Não é um típico homem do Ajax. Nunca foi jogador lá. Mas seu time joga como a escola Ajax recomenda: sempre em busca do gol.

Sobre o Autor

Paulo Vinicius Coelho é colunista da Folha de S. Paulo, comentarista da Fox e blogueiro do UOL. Jornalista desde os 18 anos, descobriu ao completar 36 que já tinha mais tempo de jornalismo do que de sonho. Ou seja, mais anos no exercício da profissão do que tinha de idade quando publicou sua primeira matéria. Trabalhou na revista Placar, diário Lance!, ESPN Brasil, cobriu as Copas de 1994, 1998, 2006, 2010 e 2014, esteve em sete finais de Champions League.

Sobre o Blog

O blog tem por objetivo analisar o futebol brasileiro e internacional em todos os seus aspectos (técnico, tático, político e econômico), sempre na tentativa de oferecer uma visão moderna e notícias em primeira mão.

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