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Na final da Champions, Lucas festeja temporada e vê seleção competitiva

PVC

16/05/2019 10h19

Não era fácil apostar no Tottenham um ano atrás. Não no nível da temporada que viveu. Quarto colocado na Premier League, consolidado acima do rival histórico, Arsenal, pela terceira temporada consecutiva. Entre 1996 e 2016, houve 21 temporadas com os Gunners à frente dos Spurs. Acreditar no projeto do Tottenham um ano e meio atrás serviu para Lucas virar o jogo a seu favor. Em Amsterdã, fez os três gols da vitória que levou o time de Londres à decisão da Champions League.

Em Barnet, onde vive a quinze minutos do Centro de Treinamento de Enfield, norte da capital britânica, Lucas festeja o sucesso. Ele conversou por telefone sobre seu momento de carreira:

PVC – Como você avalia a sua temporada?
LUCAS – Este ano foi muito bom. Eu cheguei aqui em janeiro de 2018, no meio da temporada passada. Então, tive uma série de fatores para me adaptar. Era um novo campeonato, um novo lugar, um novo sistema de jogo, o idioma, o país. Também a adaptação à parte física. Aqui isso é muito importante. Nesta temporada, eu já estava mais adaptado e as coisas saíram muito bem.

PVC – Foi preciso se adaptar também à função? No Tottenham, você joga mais pelo centro, como segundo atacante.
LUCAS –
Eu não jogava há muito tempo nessa função. Joguei um pouco assim no São Paulo. No Paris Saint-Germain eu sempre joguei como ponta, ou pela direita ou pela esquerda. Foi também uma outra coisa para me adaptar. Mas entendi o sistema do Pocchettino, o que ele queria de mim, às vezes jogando como 9, outras vezes como ponta-de-lança, segundo atacante. Encaixei. Já são 15 gols na temporada.

PVC – Como você se convenceu de que o projeto do Tottenham era bom? Não era tão claro para muita gente.
LUCAS –
Quando vim conhecer a estrutura, fiquei impressionado. É uma das melhores do mundo. Acreditei no projeto. Depois fui ver o novo estádio, que estava sendo construído. O Tottenham tem um projeto ótimo, ambicioso. E eu teria a chance de jogar, né? Foi o lugar que escolhi para dar a volta por cima, porque não estava jogando muitas vezes no Paris Saint-Germain.

PVC – Você não teve muitas chances na seleção brasileira. O que está pensando sobre a convocação para a Copa América?
LUCAS –
É verdade. Estou esperando. Ansioso. Mas o mais importante é saber que eu estou dando o meu melhor. Se a convocação vier, vai ser ótimo. Se não vier, eu tenho de continuar trabalhando muito bem. É isso o que preciso fazer. Tem muita concorrência, tem muita gente boa à disposição da seleção.

PVC – Você fala sobre ter muita gente. Luis Figo, dirigente da Uefa hoje, craque do Barcelona e Real Madrid nos anos 1990 e 2000, diz que há gerações melhores do que a brasileira hoje. Você concorda? O que pensa da seleção brasileira hoje?
LUCAS –
O Brasil vai vai ser sempre forte, sempre competitivo. Independentemente da geração. Tem muito jogador brasileiro bom. Aqui na Europa a gente vê isso. Acho que o problema do Brasil, e aqui não estou falando de seleção, mas do futebol brasileiro, é que a gente continua pensando no aspecto individual. A diferença hoje é que muitas seleções melhoraram muito e isso aconteceu por causa do aspecto coletivo, da estratégia de jogo. A gente segue valorizando apenas o individual.

Sobre o Autor

Paulo Vinicius Coelho é jornalista esportivo, blogueiro do UOL, colunista da Folha de S. Paulo. Cobriu seis Copas do Mundo (1994, 1998, 2006, 2010, 2014 e 2018) e oito finais de Champions League, in loco. Nasceu em São Paulo, vive no Rio de Janeiro e seu objetivo é olhar para o mundo. Falar de futebol de todos os ângulos: tático, técnico, físico, econômico e político, em qualquer canto do planeta. Especializado em futebol do mundo.

Sobre o Blog

O blog tem por objetivo analisar o futebol brasileiro e internacional em todos os seus aspectos (técnico, tático, político e econômico), sempre na tentativa de oferecer uma visão moderna e notícias em primeira mão.

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