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Conheça Jorge Jesus, o técnico cogitado pelo Flamengo

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2030-05-20T19:10:21

30/05/2019 10h21

Jorge Jesus é um técnico com participação ativa em processos de construções de bons clubes. Ajudou o Sporting Braga, de onde saiu em 2009 com um acordo entre as direções bracarense e benfiquista. Por 700 mil euros de multa, saiu do norte para Lisboa. No ano seguinte, 2010, foi campeão português em sua primeira temporada no estádio da Luz. O Braga foi o vice.

Projeção de carreira perfeita, no ano seguinte perdeu a semifinal da Liga Europa como técnico do Benfica para o próprio Braga, de onde veio.

Façamos aqui um recorte até a temporada 2012/13, porque o Benfica de Jorge Jesus foi vice-campeão nacional em 2011 e 2012. Como era um processo de clara reestruturação do Benfica, a direção do estádio da Luz não mexeu uma palha no comando técnico.

Na temporada seguinte, liderou por dezessete jornadas. Faltando três rodadas para o fim da campanha, o Benfica tinha quatro pontos de vantagem sobre o Porto e precisava ganhar do Estoril e do Moreirense, em Lisboa, para ser campeão. No meio das duas rodadas, clássico com o Porto, no estádio do Dragão.

Pois o Benfica empatou com o Estoril, na Luz, e foi ao Porto em busca de um empate que permitiria conquistar a taça e acabar com o jejum de três anos apenas ganhando do Moreirense.

Mas, na última bola do jogo, minuto 92, o portista Kelvin (ele mesmo!) puxou contra-ataque e acertou um chute impensável no minuto 92. O golaço de fora da área deu a vitória ao Porto por 2 x 1 e Jorge Jesus caiu de joelhos no gramado do Dragão. O Porto confirmou o título na rodada seguinte.

Isso aconteceu no sábado, 12 de maio. Na quarta-feira, 15, em Amsterdam, o Benfica empatava com o Chelsea a decisão da Liga Europa até o último minuto, quando Ivanovic marcou de cabeça. Chelsea campeão e Benfica vice português e da Liga Europa.

Se você ainda não entendeu que o Benfica queria mesmo ser grande e apostava na seqüência de trabalho, fique com outra informação: Jorge Jesus não foi demitido!!!

Seguiu técnico do Benfica e o processo de sedimentação de um clube poderoso em Portugal estava quase concluído. Com Jorge Jesus, que ajudou muito, mas não foi o responsável direto pelo sucesso, o Benfica foi campeão português em 2014, bicampeão em 2015… Então, Jesus e o presidente benfiquista Luís Filipe Vieira desentenderam-se. Jorge Jesus sentiu-se traído pelo clube, que assinou pré-contrato com Rui Vitória. Sentiu-se desprestigiado e deixou a Luz, com o recorde de troféus da história benfiquista. Ganhou dez títulos em seis anos, mais do que Oto Glória, com nove troféus em sete temporadas.

Jesus seguiu para o Sporting, então presidido por Bruno de Carvalho, dirigente com jeito de moderno e práticas antiquadas. Imaginou-se capaz de fazer o Sporting voltar às conquistas, como fizeram no Braga e no Benfica. Não foi assim. Deixou o Sporting em duas temporadas e após o covarde episódio da invasão de torcedores ultras ao Centro de Treinamento de Alcochete.

Enquanto Jorge Jesus esteve no Sporting, o Benfica seguiu soberano. Ganhou dois títulos sob o comando de Rui Vitória, perdeu o campeonato de 2018 para o Porto, e recuperou a hegemonia em 2019 com o jovem Bruno Lage como técnico a partir de janeiro.

Moral da história é que Jorge Jesus é um bom técnico, mas seus maiores sucessos foram conquistados por causa da evolução e da serenidade de um novo clube, aquele em que se transformou o velho Benfica. O time da Luz é moderno e hegemônico em seu país. Jorge Jesus ajudou a fazer isso, mas o clube seguiu surfando no sucesso. Jesus, não.

Se não tiver um projeto semelhante, que suporte derrotas como as que o Benfica suportou na trajetória, nem Jesus ajuda o Flamengo. Se perdesse o título brasileiro como perdeu o português no gol de Kelvin, caso se debruçasse sobre as pernas na Gávea como fez no estádio do Dragão, sairia com os joelhos queimados, tão quente anda a frigideira de treinadores que se vestem de rubro-negro.

Sobre o Autor

Paulo Vinicius Coelho é colunista da Folha de S. Paulo, comentarista da Fox e blogueiro do UOL. Jornalista desde os 18 anos, descobriu ao completar 36 que já tinha mais tempo de jornalismo do que de sonho. Ou seja, mais anos no exercício da profissão do que tinha de idade quando publicou sua primeira matéria. Trabalhou na revista Placar, diário Lance!, ESPN Brasil, cobriu as Copas de 1994, 1998, 2006, 2010 e 2014, esteve em sete finais de Champions League.

Sobre o Blog

O blog tem por objetivo analisar o futebol brasileiro e internacional em todos os seus aspectos (técnico, tático, político e econômico), sempre na tentativa de oferecer uma visão moderna e notícias em primeira mão.

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