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Como o Fortaleza prepara ser um clube de raiz na Série A

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2010-06-20T19:19:08

10/06/2019 19h08

A palavra "compliance" é daquelas que o mundo corporativo tenta usar e nem sempre cai nas graças das pessoas. Como ensinou o professor Pasquale, o neologismo não cola se não representar algo que não exista na língua portuguesa. Talvez seja mais justo dizer "processo".

Mas o ponto é que o Fortaleza aposta no "compliance", no fortalecimento das regras de administração criadas na gestão do presidente Marcelo Paz, para impedir aventureiros de entrarem no clube e permitir o crescimento por muito tempo.

Há dois anos, o Fortaleza estava na Série C. No ano passado, foi campeão da Série B, o primeiro título nacional da história do clube, duas vezes vice-campeão da Taça Brasil na década de 1960. Nesta rápida conversa, Marcelo Paz explica o que se fez no Fortaleza e o que se projeta para os próximos anos:

PVC – Como funcionava o Fortaleza antes e o que foi preciso fazer para chegar até a Série A?
MARCELO PAZ –
É difícil até dizer como funcionava antes, porque não havia processo. Foi necessário primeiro implantá-lo. Fazer todos os setores seguirem um fluxo. À medida em que as coisas foram avançando, fomos criando demandas. Percebendo novas necessidades e novas oportunidades.

PVC – Por que o compliance só foi implantado um ano e meio após sua gestão se iniciar?
MARCELO PAZ –
Porque existiam processos básicos a serem definidos antes, como o planejamento estratégico, profissionalização da diretoria e geração de novas receitas. Com a criação de tudo isso, com o crescimento de tudo isso veio a necessidade de se implantar, para criar um padrão para a gestão.

PVC – Que tipo de oportunidades pode haver?
MARCELO PAZ –
Para ampliar nossa receita, é preciso observar as oportunidades. Há coisas a fazer com o licenciamento da marca. Ativar valores da marca Fortaleza, ter maior variedade de receitas. Ser atrativo para investimento exterior. As pessoas põem energia onde acreditam nos resultados.

PVC – Até que ponto a Copa Nordeste ajuda a aumentar receitas e equilibrar a situação com clubes do Sul e Sudeste?
MARCELO PAZ –
Não há dúvida de que ajuda, porque nos impõe mais dificuldade técnica e arrecadação do que os estaduais. Auxilia no processo de aproximação dos grandes. Hoje temos uma arrecadação de R$ 70 milhões/ano, aproximadamente.

PVC – Isso é apenas 10% do Flamengo.
MARCELO PAZ –
Mais ou menos isso.

PVC – Nesse cenário, é possível imaginar o Fortaleza brigando por vaga na Libertadores ou ser um clube sempre presente na Série A?
MARCELO PAZ –
Olha, hoje nós estamos na Série A e é uma luta muito grande para permanecer. Mas, com o trabalho que temos feito e com todo o processo do clube sedimentado, a ambição é sermos um clube de Série A. Fincar raízes na principal divisão do futebol brasileiro.

Sobre o Autor

Paulo Vinicius Coelho é colunista da Folha de S. Paulo, comentarista da Fox e blogueiro do UOL. Jornalista desde os 18 anos, descobriu ao completar 36 que já tinha mais tempo de jornalismo do que de sonho. Ou seja, mais anos no exercício da profissão do que tinha de idade quando publicou sua primeira matéria. Trabalhou na revista Placar, diário Lance!, ESPN Brasil, cobriu as Copas de 1994, 1998, 2006, 2010 e 2014, esteve em sete finais de Champions League.

Sobre o Blog

O blog tem por objetivo analisar o futebol brasileiro e internacional em todos os seus aspectos (técnico, tático, político e econômico), sempre na tentativa de oferecer uma visão moderna e notícias em primeira mão.

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