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Coutinho e a síndrome da sombra de uma geração campeã mundial

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2025-06-20T19:10:59

25/06/2019 10h59

Todas as câmeras estão sobre Phillippe Coutinho, mas seu olhar aponta em outra direção.

Não mira os olhos do repórter que pergunta e divaga em algum lugar vazio, na sala de imprensa lotada do CT do Grêmio. Enquanto isso, responde às interrogações da entrevista coletiva, todas com a mesma entonação, todas como se fosse sempre a mesma.

Não é um problema exclusivo de Coutinho, mas de uma geração de jogadores que parece se esconder de um inimigo imaginário. Até Messi, o maior protagonista de seu tempo, teve por muitos anos o mesmo olhar vago. Nesta Copa América, o craque argentino sai do vestiário com direção certeira das emissoras de TV mais influentes da Argentina. Aos demais, nem dá pelota.

Coutinho é o craque da seleção, cuidado por Tite para ser o protagonista da ausência de Neymar.

Os dois gols da estreia na Copa América, contra a Bolívia, pareceram indicar que poderia mesmo ser assim. Mas sempre aparece sua dificuldade em tomar posições claras em questões objetivas, de decidir nas situações mais difíceis, como se procurasse sempre estar à sombra, primeiro de Gerrard, depois de Neymar, atualmente de Messi.

Em 2011, Neymar já era o maior protagonista de sua geração, a mesma de Lucas Moura, Oscar, Pato, Ganso e Phillippe Coutinho. Foi o goleador do Campeonato Sul-Americano sub-20, com 9 gols, mas não foi ao Mundial. Jogou a Copa América um mês antes.

Coutinho foi. Daquele time vencedor no Mundial, sem Neymar, sete jogadores chegaram à seleção principal, quatro jogaram Copa do Mundo (Casemiro, Oscar, Danilo e Coutinho) e quatro estão na Copa América (Allan, Alex Sandro, Casemiro e Coutinho).

Coutinho escuta atentamente as informações relembradas sobre aquela campanha e ouve a pergunta: "Você acha que a sua geração é vista como protagonista? Com o protagonismo que teve em 2011?"

O olhar vago reaparece e a resposta que oferece poderia ser a mesma para qualquer outra questão: "Quando se joga na seleção, a expectativa é muito grande. A gente sempre tenta fazer o melhor."

Como se trata de entrevista coletiva, não é elegante interromper o próximo colega para dizer que a pergunta não foi respondida. Não, a geração campeã mundial de 2011 não é vista como protagonista e Coutinho não é visto como ator principal. Mas sua missão,nesta Copa América sem Neymar, é ser O CARA. Mesmo que não queira, todas as câmeras estarão sobre ele, até o fim da Copa América. Se virar protagonista, seu prêmio será ter as câmeras a segui-lo por muito mais tempo.

Sobre o Autor

Paulo Vinicius Coelho é colunista da Folha de S. Paulo, comentarista da Fox e blogueiro do UOL. Jornalista desde os 18 anos, descobriu ao completar 36 que já tinha mais tempo de jornalismo do que de sonho. Ou seja, mais anos no exercício da profissão do que tinha de idade quando publicou sua primeira matéria. Trabalhou na revista Placar, diário Lance!, ESPN Brasil, cobriu as Copas de 1994, 1998, 2006, 2010 e 2014, esteve em sete finais de Champions League.

Sobre o Blog

O blog tem por objetivo analisar o futebol brasileiro e internacional em todos os seus aspectos (técnico, tático, político e econômico), sempre na tentativa de oferecer uma visão moderna e notícias em primeira mão.

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