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Fluminense demite Fernando Diniz e acaba com o sintoma, não com a doença

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19/08/2019 11h23

A décima-oitava colocação do Campeonato Brasileiro seria motivo suficiente para trocar de técnico em qualquer situação neste país. Perder para CSA no Maracanã, mais ainda. A lembrança de que Fernando Diniz saiu do Athletico Paranaense em 19o lugar, com nove pontos na décima-segunda rodada e que, neste ano, pelo Flu, tinha os mesmos nove pontos, reforça a ideia. Então, é justo demitir Fernando Diniz?

Não é justo com o Fluminense.

Porque ao trocar o técnico, o Fluminense ataca o sintoma, mas não a doença. Pense nos jogadores que o Fluminense perde seguidamente. Quando chegou às Laranjeiras, Fernando Diniz tinha Ibañez, Calazans, Luciano, Everaldo e Ezequiel. Vá lá que o último nome é hoje reserva da lateral direita do Bahia, mas metade da primeira escalação de Fernando Diniz não está mais no clube. Casos especiais são os de Luciano e Everaldo, parte importante do Fluminense na única vitória em clássico neste ano, o Fla-Flu de fevereiro.

Sim, disputar dez clássicos e só vencer um também é argumento pela troca. Na cultura do futebol brasileito, tudo é argumento. Mas a doença está no clube que perde mais do que os cinco titulares de janeiro. Nos últimos anos o Fluminense descobre jogadores e os entrega de bandeja. Não se fala aqui da gestão Mario Bittencourt, que acabou de chegar. Mas do clube e de suas gestões dos últimos anos.

Scarpa é hoje o artilheiro do Palmeiras no ano. Wellington Silva fez gol da vitória do Internacional contra o Fortaleza. Wendell está na seleção olímpica, sem contar Sornoza, Ayrton Lucas, Richard, Richarlison… Uns melhores, outros piores, todos fariam o Fluminense mais forte.

Incrível contradição do futebol, Fernando Diniz foi criticado por fazer a bola circular sem conseguir finalizar e foi demitido ao perder um jogo por 1 x 0 em que o Fluminense chutou 33 vezes ao gol. Recorde dos últimos dois Campeonatos Brasileiros.

Sobre o Autor

Paulo Vinicius Coelho é colunista da Folha de S. Paulo, comentarista da Fox e blogueiro do UOL. Jornalista desde os 18 anos, descobriu ao completar 36 que já tinha mais tempo de jornalismo do que de sonho. Ou seja, mais anos no exercício da profissão do que tinha de idade quando publicou sua primeira matéria. Trabalhou na revista Placar, diário Lance!, ESPN Brasil, cobriu as Copas de 1994, 1998, 2006, 2010 e 2014, esteve em sete finais de Champions League.

Sobre o Blog

O blog tem por objetivo analisar o futebol brasileiro e internacional em todos os seus aspectos (técnico, tático, político e econômico), sempre na tentativa de oferecer uma visão moderna e notícias em primeira mão.

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