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Por que o Palmeiras não pretende trocar de técnico agora

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28/08/2019 11h00

O Palmeiras não vai trocar de técnico agora.

O advérbio de tempo é necessário no futebol brasileiro.

Porque este momento pode ser diferente da próxima segunda-feira ou daqui a duas semanas, dependendo da seqüência do Campeonato Brasileiro. Mas o fato, agora, é que Felipão é, e continuará sendo técnico do Palmeiras.

Há duas razões para esta decisão da diretoria, neste momento.

Diferentemente do que aconteceu com Roger Machado e Marcelo Oliveira, dispensados na mesma noite de derrotas para o Fluminense e para o Nacional de Montevidéu, a direção entende que Felipão tem o comando do grupo de jogadores e mantém a mesma característica que definiu sua contratação: liderança.

Ninguém nunca imaginou Felipão como o estrategista e o técnico do repertório vasto. Justamente o que faltou para transformar o jogo contra o Grêmio, num segundo tempo comprometido, também, por seus erros de substituições. Trocar Willian, que perdeu dois gols ou criou duas chances, por Deyverson significava a tentativa de ter alguém na área e a certeza de um jogador fora da disputa para levar a bola até ela.

Deyverson recebia redondo e devolvia quadrado e o Palmeiras passou a jogar mais pelo centro, menos pelos lados, do que quando criava oportunidades, no primeiro tempo.

Mesmo assim, Felipão não perde, no entendimento da diretoria, a capacidade de mobilizar seus jogadores.

Há diferenças, no entanto, no trabalho do ano passado para este ano.

Quando chegou, em 2018, Felipão tinha seus olhos brilhando, como se tivesse redescoberto o clube que deixou em 2012. Se em sua segunda passagem pelo Parque Antarctica, aquela do título da Copa do Brasil e do time à beira do rebaixamento, Felipão precisava ser um misto de técnico e presidente, pelo vazio de poder, ao retornar em 2018 se deparou com uma estrutura que lhe permitia ser apenas o técnico. Com analistas de desempenho e diretores executando suas funções, Felipão parecia se beliscar para ter certeza de que, sim, precisava apenas treinar o time.

A lua de mel levou ao título brasileiro, mas terminou como todo período de núpcias. Um dia se chega à rotina. A dúvida logo depois de seu retorno, descrita por este colunista na Folha, era se estaria disposto a se encontrar com jogadores muito menos comprometidos e muito mais atentos aos seus aparelhos de telefone celular, do que nos anos 1990.

A resposta oferecida com o título brasileiro de 2018 foi: sim, ele estava. Aos poucos, foi se incomodando com jogadores que não se cobram com olhos nos olhos e com recados que chegam de agentes, dizendo que fulano não vai correr para ciclano. É preciso paciência para lidar com este novo enredo dos vestiários.

A direção entende que ele tem a energia necessária para virar esse jogo, como virou em outros momentos, seja em 1998, ganhando a Copa do Brasil quando estava quase demitido, em 2000, quando remontou o Palmeiras depois do anúncio da saída da Parmalat, em 2012, ganhando a Copa do Brasil com três presidentes em dois anos, ou em 2018, com o título brasileiro numa virada de oito pontos de distância.

A diretoria entende que a liderança persiste e não é hora de mudar de técnico.

Há dúvidas concretas se, de fato, pode haver uma re-virada no Brasileirão.

Mas o caminho mais correto sempre deveria ser o de terminar o ano e avaliar o trabalho.

 

Sobre o Autor

Paulo Vinicius Coelho é colunista da Folha de S. Paulo, comentarista da Fox e blogueiro do UOL. Jornalista desde os 18 anos, descobriu ao completar 36 que já tinha mais tempo de jornalismo do que de sonho. Ou seja, mais anos no exercício da profissão do que tinha de idade quando publicou sua primeira matéria. Trabalhou na revista Placar, diário Lance!, ESPN Brasil, cobriu as Copas de 1994, 1998, 2006, 2010 e 2014, esteve em sete finais de Champions League.

Sobre o Blog

O blog tem por objetivo analisar o futebol brasileiro e internacional em todos os seus aspectos (técnico, tático, político e econômico), sempre na tentativa de oferecer uma visão moderna e notícias em primeira mão.

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