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O dia de lembrar que o Fluminense tem torcida

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29/08/2019 08h13

A conversa com um dirigente do Fluminense, da gestão passada, tratava do sucesso do plano de sócios de clubes como Corinthians e Palmeiras. Não da necessidade de copiar, mas de estudar o que poderia se adaptar ao perfil tricolor. A resposta do cético dirigente foi definitiva: "Você precisa entender que o Rio de Janeiro é diferente. Aqui tudo compete. Tem praia."

Existe um velho mantra segundo o qual o torcedor tem de contribuir com o clube. A lógica deveria ser inversa: o clube tem de saber vender ingresso, convencer seu torcedor a estar presente. Se um vendedor não consegue vender ar condicionado no verão carioca, a culpa é dele ou de quem não quer comprar?

O mau vendedor e o mau dirigente fazem tudo parecer difícil.

O Fluminense sofre hoje com a 14a colocação no ranking de público do Brasil, com 15 mil por jogo. Contabilizando apenas o Brasileiro, é o nono colocado, com 21 mil de média, atrás de Fortaleza, Ceará, Bahia, Internacional. Isso faz parecer que não tem torcida. A impressão no Rio de Janeiro hoje é de um processo de flamenguização da cidade.

O sucesso rubro-negro dos últimos anos faz ampliar a superioridade de torcida do Flamengo. Isso não significa que não existam tricolores, botafoguenses e vascaínos. Há aos montes. A noite desta quinta-feira pode dar uma demonstração disso. Já há mais de 40 mil ingressos vendidos, expectativa de 50 mil torcedores no Maracanã para Fluminense x Corinthians.

Lembranças de quando o Fluminense, na Libertadores, colocava 86 mil contra a LDU, 78 mil contra o Boca Juniors, 68 mil contra o São Paulo. Ou, na luta contra o rebaixamento, na temporada seguinte, quando o Maracanã encheu com 66 mil contra o Palmieras, 52 mil contra o Athletico Paranaense.

Naquela época, como em todas, prevalecia a cruel realidade do público no Brasil, de estádio cheio em jogo importante e casa vazia em jogo pequeno. Neste momento, Flamengo, Corinthians, Palmeiras e, em parte, o São Paulo, conseguem transformar esta realidade. O Fluminense, ainda não.

Ninguém julga e nem deve que o Fluminense tenha tanta torcida quanto o Flamengo. Mas tem torcida para encher o Maracanã. A noite desta quinta-feira, contra o Corinthians, pode ajudar nessa lembrança e permitir que a nova direção tricolor pense diferente da velha. No Rio de Janeiro, como em São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre e Curitiba, tudo concorre. Cinema, teatro, shopping center, praia… É por isso a necessidade de trabalhar arduamente para seduzir o torcedor, que existe, de que o melhor programa é ir ao estádio de futebol.

Sobre o Autor

Paulo Vinicius Coelho é colunista da Folha de S. Paulo, comentarista da Fox e blogueiro do UOL. Jornalista desde os 18 anos, descobriu ao completar 36 que já tinha mais tempo de jornalismo do que de sonho. Ou seja, mais anos no exercício da profissão do que tinha de idade quando publicou sua primeira matéria. Trabalhou na revista Placar, diário Lance!, ESPN Brasil, cobriu as Copas de 1994, 1998, 2006, 2010 e 2014, esteve em sete finais de Champions League.

Sobre o Blog

O blog tem por objetivo analisar o futebol brasileiro e internacional em todos os seus aspectos (técnico, tático, político e econômico), sempre na tentativa de oferecer uma visão moderna e notícias em primeira mão.

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