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Mano Menezes e a Academia

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05/09/2019 12h36

Mano Menezes foi apresentado e confirmou que estreará contra o Goiás, sábado, no Serra Dourada.

Falou sobre muitas coisas deste Palmeiras: "Nossa produção tem de ser retomada e nosso aproveitamento vai fazer diferença."

Explicou também o que pensa sobre o aproveitamento de jogadores das divisões de base. Abrir o caminho para isso, porque quando se tem jogadores experientes, a lógica é escalá-los. Utilizar os mais jovens pressupõe mais oscilação.

Está claro.

Também está claro que quanto mais se abrir esse espaço, para 5% do elenco, 10% do elenco, um terço do elenco, gradativamente, menos se vai correr o risco de contratar errado. Mas esse risco sempre vai haver. Mano falou também sobre a qualidade do elenco atual e sobre a possibilidade de montar uma equipe ofensiva. "Acho que temos jogadores para propor o jogo. Estratégia defensiva não tem nada a ver com ser reativo, mas com organização que dificulte o adversário a entrar na nossa defesa", afirmou.

Boa explicação. Ajuda-nos a fugir das análises rasas.

Como a de que é preciso jogar como as Academias do Palmeiras.

Academias?

Historicamente, o Palmeiras teve um time chamado de Academia. O campeão do Rio-São Paulo, de 1965.

Dirigido pelo argentino Filpo Nuñez, o Palmeiras disputou 16 partidas e marcou 49 gols. Média de 3 por jogo.

O que se convenciona chamar de segunda academia é o time que virou poesia na boca palmeirense: Leão, Eurico, Luís Pereira, Alfredo e Zeca; Dudu e Ademir da Guia; Edu, Leivinha, César e Nei. Esta equipe entrou em campo, inteirinha junta, dezesseis vezes. Ganhou oito e empatou oito. Não perdeu nenhuma.

Impressionante, comparando com Gilmar, Lima, Mauro e Dalmo; Zito e Calvet; Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. O clássico Santos jogou dez vezes, venceu nove e perdeu uma.

Ou o Flamengo de Raul, Leandro, Marinho, Mozer e Júnior; Andrade, Adílio e Zico; Tita, Nunes e Lico. Quatro vezes juntos, três vitórias e um empate.

O time que se convencionou chamar de segunda academia foi bicampeão brasileiro com a defesa menos vazada nas duas campanhas. Dezenove gols sofridos em 30 partidas de 1972, 13 gols sofridos em 40 jogos de 1973.

A equipe de Osvaldo Brandão e Ademir da Guia era elegante.

Não era ofensiva.

Fez 46 gols em 30 partidas em 1972 (1,5 de média), 52 gols em 40 jogos de 1973 (1,3 de média).

Ano passado, o Palmeiras venceu o Brasileiro com o melhor ataque e 1,68 de média ofensiva.

Ficamos, então, com Filpo Nuñez.

O técnico argentino que encantou o Brasil há 54 anos e criou a Academia.

Houve outros grandes Palmeiras, como os de Aynoré Moreira, Mário Travaglini, Rubens Minelli, Osvaldo Brandão, Vanderlei Luxemburgo, Cuca e Felipão, todos campeões brasileiros.

Mano Menezes pode ser o técnico de mais um deles.

Sobre o Autor

Paulo Vinicius Coelho é colunista da Folha de S. Paulo, comentarista da Fox e blogueiro do UOL. Jornalista desde os 18 anos, descobriu ao completar 36 que já tinha mais tempo de jornalismo do que de sonho. Ou seja, mais anos no exercício da profissão do que tinha de idade quando publicou sua primeira matéria. Trabalhou na revista Placar, diário Lance!, ESPN Brasil, cobriu as Copas de 1994, 1998, 2006, 2010 e 2014, esteve em sete finais de Champions League.

Sobre o Blog

O blog tem por objetivo analisar o futebol brasileiro e internacional em todos os seus aspectos (técnico, tático, político e econômico), sempre na tentativa de oferecer uma visão moderna e notícias em primeira mão.

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