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Apesar de populista, nova geral do Maracanã pode levar Flamengo a recorde

PVC

25/09/2019 07h08

A proposta de criação de uma nova geral do Maracanã para levar mais gente sem condição financeira ao Maracanã parte de um preconceito. Quer dizer que só rico tem direito a se sentar em cadeiras confortáveis? Não é necessário retirar as cadeiras, basta diminuir o preço.

Isso, na prática, já aconteceu. A política de preços do Flamengo, que hoje tem ticket médio a R$ 35 e prioridade para sócios-torcedores, ajudou a registrar a maior média de público desde 1983.

Mesmo na Copa União de 1987, com o Flamengo campeão, com a velha geral no Maracanã e com Zico em campo, o Flamengo levava 47 mil espectadores em média.  Hoje leva 50 mil. Em 1983, levou 59 mil.

O Flamengo quer aumentar a capacidade do estádio e a retirada das cadeiras atrás do gol, onde ficam as uniformizadas, ajudará nesse objetivo. Diminuir o preço dos bilhetes exige apenas vontade política, com cadeiras ou sem elas. Mesmo que exista custo de manutenção.

Hoje, as cadeiras são retráteis e mesmo com elas os torcedores assistem aos jogos em pé naquele setor.

O Flamengo tem 75% de ocupação do Maracanã. Parte dos 25% De lugares vazios são causados pela separação das torcidas. O Maracanã tem hoje 78 mil assentos e poderia vender 78 mil bilhetes, se a polícia não exigisse um número perto de 5 mil lugares livres para separação.

Também há as gratuidades, em maior número no Rio de Janeiro do que em qualquer outro estado do país. Em média, 10% do público do Maracanã não paga. Em Flamengo 1 x 0 Santos, maior número de espectadores do Brasileirão 2019, 62.510 pagaram e 5.700 não pagaram para entrar no estádio.

Então, há outra forma de aumentar a capacidade do estádio, antes de cimentar atrás do gol.

Mas se é para o bem geral, que se retirem as cadeiras. Isso não vai garantir lugar à população carente, mas permitirá ao Flamengo tentar alcançar novos recordes de público.

O Borussia Dortmund leva 81 mil por jogo no Campeonato Alemão. O máximo do Flamengo foram 66 mil de média, no Brasileirão de 1980. Com o trabalho de fidelização bem feito pelo Flamengo e com o Maracanã superior a 85 mil lugares, será possível tentar superar o Borussia Dortmund.

Será árduo, mas possível. Para Fluminense, Vasco e Botafogo, a missão é mais difícil.  Exige iniciar um trabalho de fidelização que o Flamengo já passou da metade.

Sobre o Autor

Paulo Vinicius Coelho é jornalista esportivo, blogueiro do UOL, colunista da Folha de S. Paulo. Cobriu seis Copas do Mundo (1994, 1998, 2006, 2010, 2014 e 2018) e oito finais de Champions League, in loco. Nasceu em São Paulo, vive no Rio de Janeiro e seu objetivo é olhar para o mundo. Falar de futebol de todos os ângulos: tático, técnico, físico, econômico e político, em qualquer canto do planeta. Especializado em futebol do mundo.

Sobre o Blog

O blog tem por objetivo analisar o futebol brasileiro e internacional em todos os seus aspectos (técnico, tático, político e econômico), sempre na tentativa de oferecer uma visão moderna e notícias em primeira mão.

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