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Flamengo e River vão à final como irmãos táticos e opostos na construção

PVC

24/10/2019 07h20

Jorge Jesus nunca foi muito de definir em números seus sistemas táticos, mas desde sua chegada ficou claro que desenha seus times no 4-1-3-2. Desde sua chegada, não. Quem o viu em ação no Benfica, ou antes no Sporting Braga e Belenenses, sabe que ele gostava já de jogar assim, com um volante e três meias. Sua maior equipe no estádio da Luz tinha Javi Garcia de trinco, com Ramires pela direita, Aimar centralizado e Di Maria à esquerda, Saviola e Oscar Cardozo na frente.

Esse time foi campeão português com 78 gols marcados em 30 partidas e encerrou a hegemonia de quatro anos do F.C. Porto.

Seu Flamengo mantém este sistema tático, embora varie de acordo com adversários e desfalques. Com Reinier, a variação para o 4-2-3-1 foi inevitável, mas bastou o retorno de todos os titulares para reassumir o 4-1-3-2 contra o Grêmio.

 

 

 

 

 

Apreciador dos times de Johan Cruyff, Jesus usa um modelo mais famoso no Real Madrid de Jupp Heynckes, campeão da Champions League da temporada 1997/98. Aquele timaço encerrou um jejum de 32 anos sem a Champions com Illgner, Panucci, Sanchis, Hierro e Roberto Carlos; Redondo; Seedorf, Raúl e Karembeu; Mijatovic e Morientes.

É como Marcelo Gallardo coloca no quadro-negro seu time, o River Plate, que luta para ser o primeiro bicampeão consecutivo da Libertadores desde o Boca Juniors de Carlos Bianchi, em 2000 e 2001. No ano passado, o River disputou a decisão contra o Boca Juniors num 4-1-4-1, com Armani, Montiel, Maidana, Pinola e Casco; Ponzio; Nacho Fernández, Enzo Pérez, Palacio e Pity Martínez Pratto na frente.

 

 

 

 

 

Hoje, sua equipe está sistematizada no 4-1-3-2, irmã tática do Flamengo de Jorge Jesus. Armani, Montiel, Martínez Quarta, Pinola e Casco; Enzo Pérez; Nacho Fernández, Palacio e De la Cruz; Matías Suárez e Santos Borré.

Repare que são sete titulares remanescentes da decisão do Santiago Bernabéu, do ano passado, e poderão ser oito decisivos com o retorno de Quintero, recuperando-se de lesão. Neste ponto, é o oposto do Flamengo. Apesar do crescimento financeiro e do fortalecimento do elenco nos últimos seis anos, o Flamengo de 2019 não tem nada a ver com o passado, em termos de nomes dos titulares. Rafinha, Rodrigo Caio, Pablo Marí, Filipe Luís, Gérson, Bruno Henrique, De Arrascaeta e Gabriel chegaram neste ano. Se o River tem oito remanescentes, o Flamengo tem oito novos.

O pensamento é semelhante. Gallardo e Jesus falam das vitórias como base para um trabalho de longo prazo se manter, mas prezam o futebol de alta qualidade como o meio para chegar a esse fim. "O melhor antídoto para a vitória é a derrota. Quem pensa que vence sempre está sempre errado", diz Gallardo. "O meu passado como treinador está escrito. Sou o treinador em Portugal que mais títulos ganhou e quero mostrar no maior clube do Brasil o meu valor." Esta é de Jorge Jesus.

Gallardo e Jesus mudam a Libertadores. Está claro que agora se ganha o torneio continental jogando o melhor futebol possível. Foi assim nas quatro últimas temporadas, desde 2015. Está ainda mais claro nesta edição de 2019, com os finalistas irmãos de sangue no sistema tático e opostos na manutenção de seus titulares dos últimos anos.

 

Sobre o Autor

Paulo Vinicius Coelho é jornalista esportivo, blogueiro do UOL, colunista da Folha de S. Paulo. Cobriu seis Copas do Mundo (1994, 1998, 2006, 2010, 2014 e 2018) e oito finais de Champions League, in loco. Nasceu em São Paulo, vive no Rio de Janeiro e seu objetivo é olhar para o mundo. Falar de futebol de todos os ângulos: tático, técnico, físico, econômico e político, em qualquer canto do planeta. Especializado em futebol do mundo.

Sobre o Blog

O blog tem por objetivo analisar o futebol brasileiro e internacional em todos os seus aspectos (técnico, tático, político e econômico), sempre na tentativa de oferecer uma visão moderna e notícias em primeira mão.

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