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Como Jorge Jesus derrubou os dois últimos técnicos campeões brasileiros

PVC

04/11/2019 10h19

"BH faz três. Carille no RH."

A sacada é dos editores de esporte do jornal O Globo e trata da vitória por 4 x 1 do Flamengo sobre o Corinthians na tarde de domingo (3). A goleada que provocou a demissão de Fábio Carille.

Há dois meses, em 1 de setembro, o Flamengo também aniquilou o Palmeiras, com jogo de rápidas trocas de passes e de posições.

Quem desloca recebe, que pede tem preferência, mandamento do velho Elba de Pádua Lima, o Tim, aplica-se à perfeição à receita atual de futebol contemporâneo executada pelos jogadores de Jorge Jesus.

Contra o Palmeiras, houve 60% de posse de bola e onze finalizações. O Palmeiras não conseguiu chutar nenhuma bola na meta de Diego Alves, exceto os dois gols bem anulados do primeiro tempo.

Naquele dia, chamou muito a atenção a velocidade e a inversão de lado de Bruno Henrique, autor do cruzamento para o segundo gol, numa arrancada pela direita finalizada por De Arrascaeta.

Marcos Rocha perseguiu o atacante rubro-negro por 52 metros. A marcação por zona de encaixe proposta por Felipão desmontou-se naquele dia. O mesmo estilo com o qual Felipão foi campeão brasileiro de 1996, pelo Grêmio, e de 2018, pelo Palmeiras.

Como já se disse naquela ocasião, e depois do empate do Grêmio, a marcação por encaixe parece uma jabuticaba. Só tem no Brasil. Mas há quem faça isso ainda na Inglaterra, como Marcelo Bielsa, do Leeds United.

O Corinthians marca por zona no modelo mais próximo do que se faz em todo o planeta hoje. A linha dos quatro zagueiros não se expande além da risca da grande área. À frente, a linha do meio-de-campo tenta conter a amplitude do adversário. O Flamengo roda seu time de modo a que os extremas, Éverton Ribeiro e De Arrascaeta, entrem como meias e deixem a abertura para os laterais.

Foi preciso muita paciência e troca de passes para furar o bloqueio defensivo corintiano, aos 44 minutos. Na ilustração, percebe-se que Éverton Ribeiro, o extrema-direita, e De Arrascaeta, taticamente quem mais abre pela esquerda, estavam pelo meio. A movimentação quebrou a marcação corintiana graças ao passe vertical inventado por Éverton Ribeiro.

Foi a jogada do pênalti. A partir dele, tudo se abriu na zaga corintiana.

A característica mais importante do Flamengo é a capacidade de movimentar suas peças, abrir a defesa com o posicionamentos dos pontas e laterais e com os deslocamentos constantes do ataque. Outro ponto marcante é a incansável pressão na saída de bola do adversário. Contra o Corinthians, 8 dos 23 desarmes aconteceram no campo de ataque (34%). Foram 6o5 passes. A circulação da bola ajuda a abrir retrancas, desde que os passes sejam rápidos e objetivo.

Nos dois jogos, dois placares incontestáveis e largos, o Flamengo de Jorge Jesus provocou as demissões de Felipão e Carille. Não é pouca coisa. É simbólico, porque diante deste rubro-negro incansável caíram os dois estilos que conquistaram o Brasil nos dois últimos campeonatos brasileiros já concluídos.

Sobre o Autor

Paulo Vinicius Coelho é jornalista esportivo, blogueiro do UOL, colunista da Folha de S. Paulo. Cobriu seis Copas do Mundo (1994, 1998, 2006, 2010, 2014 e 2018) e oito finais de Champions League, in loco. Nasceu em São Paulo, vive no Rio de Janeiro e seu objetivo é olhar para o mundo. Falar de futebol de todos os ângulos: tático, técnico, físico, econômico e político, em qualquer canto do planeta. Especializado em futebol do mundo.

Sobre o Blog

O blog tem por objetivo analisar o futebol brasileiro e internacional em todos os seus aspectos (técnico, tático, político e econômico), sempre na tentativa de oferecer uma visão moderna e notícias em primeira mão.

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