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Corinthians é cavalo encilhado para Tiago Nunes

PVC

05/11/2019 13h30

Tiago Nunes costuma contar que tinha diálogos com sua esposa, Fernanda, nos momentos difíceis de sua longa carreira de técnico de times pequenos do interior. Nas vésperas de jogos difíceis, relatava o receio da derrota do dia seguinte. Fernanda respondia: "Se vocês perderem, o que pode acontecer?" Tiago respondia: "Posso ser demitido." Ao que Fernando devolvia: "E se você for demitido?" Tiago afirmava: "Volto para casa." E a esposa: "Então não é tão ruim assim."

O diálogo doméstico explica por que Tiago Nunes decidiu mudar a estabilidade do Athletico Paranaense pelo desafio do Corinthians. Quando deixou o Veranópolis, no final de 2017, tinha convite do Moto Club, do Maranhão. Optou pelo Athletico Paranaense pela estrutura extraordinária, pelo desafio de um grande clube, mesmo no sub-23, e por ficar perto da família. Enfim, teria uma casa para cuidar dos seus.

Nos anos anteriores, viveu do interior do Rio Grande do Sul, onde nasceu, no Acre ou Mato Grosso, onde foi campeão estadual pelo Rio Branco-AC e Luverdense-MT. Se há um diferencial de Tiago Nunes em comparação com outros treinadores da nova geração, este é a experiência. Viveu por 23 clubes antes de decolar no Athletico Paranaense. Também sabe que técnicos recentemente saíram da moda para o mercado secundário rapidamente. Zé Ricardo, Maurício Barbiéri, Jair Ventura, Eduardo Baptista, pode ser o caso de Fábio Carille.

Tiago Nunes é fruto de um fracasso. A experiência com Fernando Diniz não foi tão boa quanto o Athletico imaginava. O bom futebol em campo contrastou com os resultados. O estilo de Tiago também é diferente de Fernando Diniz. O novo técnico do Corinthians faz questão de frisar que gosta de rapidez no último terço de campo. Definição rápida, mas construção cuidadosa desde o primeiro passe, no campo de defesa. O novo Corinthians vai agredir.

É o que o Parque São Jorge mais deseja neste momento. Também por este motivo, o Corinthians é um cavalo selado para Tiago Nunes. A chance é subir e galopar por longos anos na elite do futebol brasileiro.

Mas, se assumir e a experiência não der certo, pela dificuldade de investimento corintiana ou por não se adaptar ao clube gigante, neste caso, o pior que pode lhe acontecer é… voltar para casa. A esposa Fernanda estará lá, para lembrá-lo que não é tão ruim assim.

 

Sobre o Autor

Paulo Vinicius Coelho é jornalista esportivo, blogueiro do UOL, colunista da Folha de S. Paulo. Cobriu seis Copas do Mundo (1994, 1998, 2006, 2010, 2014 e 2018) e oito finais de Champions League, in loco. Nasceu em São Paulo, vive no Rio de Janeiro e seu objetivo é olhar para o mundo. Falar de futebol de todos os ângulos: tático, técnico, físico, econômico e político, em qualquer canto do planeta. Especializado em futebol do mundo.

Sobre o Blog

O blog tem por objetivo analisar o futebol brasileiro e internacional em todos os seus aspectos (técnico, tático, político e econômico), sempre na tentativa de oferecer uma visão moderna e notícias em primeira mão.

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