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Jesus já foi acusado de agredir brasileiro em jogo guerra como Bota x Fla

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08/11/2019 10h39

Jorge Jesus tem razão de reclamar que o jogo contra o Botafogo foi muito violento. O primeiro tempo foi mesmo e Alberto Valentim errou feio ao bloquear a busca pela bola do zagueiro Pablo Marí, para ganhar tempo. Apesar dos excessos botafoguenses, que deveriam ter sido contidos pela péssima arbitragem de Leandro Vuaden, o Flamengo entrou na pilha. No final do primeiro tempo, o Botafogo tinha feito sete faltas. O Flamengo, dez.

Jorge Jesus já viveu em Portugal episódios de tanto nervosismo quanto na noite do Nílton Santos, contra o Botafogo à flor da pele pelos dois meses e meio de salários atrasados e pela perspectiva da zona de rebaixamento.

Na temporada 2010/2011, o Benfica lutava pelo bicampeonato. Na noite de domingo, 27 de fevereiro, entrou em campo no Funchal contra o Marítimo com 48 pontos, dez a menos do que o invicto Porto. Jorge Jesus ostentava 17 partidas de invencibilidade, 11 delas pelo Campeonato Português, com 11 triunfos consecutivos. Sua última derrota tinha acontecido justamente contra o Porto, no estádio do Dragão: 0 x 5.

O Benfica lutou até o fim de uma partida extremamente nervosa. Só aos 94 minutos, o lateral-esquerdo Fábio Coentrão marcou com um chute de pé direito. Ao apito final, os jogadores do Marítimo foram ao árbitro protestar contra o tempo de acréscimo e Jorge Jesus meteu-se na confusão. Foi acusado de agredir o volante brasileiro Rafael Miranda, do Marítimo.

O jogador, ex-Atlético Mineiro, declarou que Jorge Jesus excedeu-se, mas disse que sofreu apenas um empurrão. Aquele Benfica foi vice-campeão, 21 pontos abaixo do Porto de André Villas Boas.

No Nílton Santos, Jorge Jesus tem razão em reclamar da violência do primeiro tempo e do comportamento de Alberto Valentim. Mas o episódio parece ter muito mais a ver com os nervos à flor da pele do que com preconceito. No futebol globalizado, já se viu Felipão treinar Portugal e dar soco no sérvio Dragu e José Mourinho treinar o Real Madrid e enfiar o dedo nos olhos do assistente de Guardiola, Tito Villanova.

Guerras assim não são para acontecer. Ocorrem de tempos em tempos independentemente de cor, credo ou nacionalidade.

 

 

Sobre o Autor

Paulo Vinicius Coelho é jornalista esportivo, blogueiro do UOL, colunista da Folha de S. Paulo. Cobriu seis Copas do Mundo (1994, 1998, 2006, 2010, 2014 e 2018) e oito finais de Champions League, in loco. Nasceu em São Paulo, vive no Rio de Janeiro e seu objetivo é olhar para o mundo. Falar de futebol de todos os ângulos: tático, técnico, físico, econômico e político, em qualquer canto do planeta. Especializado em futebol do mundo.

Sobre o Blog

O blog tem por objetivo analisar o futebol brasileiro e internacional em todos os seus aspectos (técnico, tático, político e econômico), sempre na tentativa de oferecer uma visão moderna e notícias em primeira mão.

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