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Observações de Ruy Castro. Brilhantes, é claro

PVC

19/11/2019 03h55

Receber uma mensagem de um leitor como Ruy Castro não é qualquer dia.
Especialmente, com observações tão detalhadas e enriquecedoras, depois de ler a Prancheta de segunda-feira (18), na Folha de S. Paulo. Especialmente em que se trava uma estúpida polarização entre técnicos brasileiros e estrangeiros, quando o certo deveria ser entre os bons e os ótimos.
A mensagem completa está aí abaixo, compartilhada por dever e para o seu prazer, caro leitor:
Caro Paulo,
    Aqui seu constante e sempre atento leitor Ruy Castro. É bom ler quem pensa bem e escreve melhor. Além disso, temos um time em comum — a História.
    Apenas pra te dizer que, por mais fabulosos os méritos do Bela Gutman, falta valorizar mais o Fleitas Solich.
    Gutman foi campeão pelo São Paulo em 1957. Parabéns pra ele, mas Solich foi tricampeão pelo Flamengo em 1953-54-55, em campeonatos de três turnos e finais com melhor de três — os únicos anos em que essa fórmula foi usada.
    Solich estabeleceu o 4-2-4, com o ponta recuado ajudando a defender e armar.
    Certamente foi Zezé Moreira quem fez isto primeiro, recuando o Telê em 1951, mas Solich foi explícito com Zagallo. Proibiu-o de driblar [que, segundo contou, era uma grande habilidade dele] e o fazia subir e descer o jogo inteiro. Tanto que Zagallo, ao contrário de outros da época — Pinga, Quarentinha, Ferreira [América], o próprio Escurinho, Pepe, era um ponta-esquerda de poucos gols. E o Joel me contou que também tinha de ajudar na marcação pela direita.
    Solich proibia a firula desnecessária em qualquer parte do campo. Foi o que provocou a desgraça do Dr. Rúbis, virtuose e ídolo da torcida, barrado por Evaristo e até pelo burocrático Duca. [Além disso, Rubens fumava na concentração, o que Solich também não tolerava.]
    De 1953 a 1958, Solich armou vários ataques no Flamengo à base de ex-juvenis. Trocou Benitez, Esquerdinha e o magnífico Índio [está vivo, parece!] por garotos como Joel, Evaristo, Dida, Moacir, Babá, Paulinho [artilheiro apesar de reserva], Henrique, Luiz Carlos, o próprio Zagallo.
    E olhe que coisa: antes do Zico, os maiores artilheiros da história do Flamengo, com centenas de gols cada, eram Dida e Henrique — que jogavam juntos. O falso 4-2-4 funcionava!
    Solich foi cogitado para treinador da Seleção em 58, mas descartado por ser estrangeiro.
    E, ah, sim, ao voltar ao Flamengo pela terceira vez, nos early 70s, efetivou o… Zico…
    Abraços!
    Ruy

 

Sobre o Autor

Paulo Vinicius Coelho é jornalista esportivo, blogueiro do UOL, colunista da Folha de S. Paulo. Cobriu seis Copas do Mundo (1994, 1998, 2006, 2010, 2014 e 2018) e oito finais de Champions League, in loco. Nasceu em São Paulo, vive no Rio de Janeiro e seu objetivo é olhar para o mundo. Falar de futebol de todos os ângulos: tático, técnico, físico, econômico e político, em qualquer canto do planeta. Especializado em futebol do mundo.

Sobre o Blog

O blog tem por objetivo analisar o futebol brasileiro e internacional em todos os seus aspectos (técnico, tático, político e econômico), sempre na tentativa de oferecer uma visão moderna e notícias em primeira mão.

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