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Entenda o que aconteceu no Brasileirão de 1987

UOL Esporte

25/11/2019 17h16

Crédito: Marcos Brindicci/Jam Media/Getty Images

O velho tema nunca esteve tão atual: cada vez que se discute o título brasileiro de 1987 alguém em interesse em saber exatamente o que aconteceu. O tema volta ao foco depois de a CBF decidir que vai considerar o Flamengo hexacampeão brasileiro com o título conquistado ontem (24).

A história começa em 1986. Até aquele ano, os campeonatos estaduais eram classificatórios para o Brasileirão. Os seis primeiros de São Paulo, os cinco primeiros do Rio, os dois melhores do Mineiro, do Gaúcho, do Pernambucano, os campeões estaduais dos outros estados se classificavam. A grosso modo, mais ou menos como hoje ocorre com os campeonatos nacionais da Europa em relação à Champions League.

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Assim, entre 1980 e 1986, o Brasileirão teve 40 clubes na primeira divisão (Taça de Ouro, Copa Brasil) e quatro que se classificavam do torneio de acesso (Taça de Prata ou Torneio Paralelo, nome na última edição nesse formato).

Em 1986, a CBF prometeu mudar o sistema e criar, para 1987, a Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro. Os 24 melhores de 1986 formariam a Série A do ano seguinte.

Terminado o campeonato, com o Botafogo fora da elite de 24, a CBF mudou de ideia. Primeiro, afirmou que não tinha condição financeira para promover o torneio.

Em abril daquele ano os grandes se reuniram e fizeram o movimento que criou o Clube Dos Treze. Os fundadores (Flamengo, Fluminense, Vasco, Botafogo, Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos, Grêmio, Internacional, Atlético Mineiro, Cruzeiro e Bahia) anunciaram que disputariam um campeonato próprio, organizado por eles mesmos.

A CBF, então, se mobilizou e anunciou que faria o campeonato com 40 clubes. Os grandes fizeram uma composição com a CBF, mas criaram a Copa União, com a participação, também, de Santa Cruz, Goiás e Coritiba, que se juntavam aos treze de maior torcida.

A CBF criou o regulamento, que previa o cruzamento de campeão e vice do Módulo Verde (Copa União) com campeão e vice do Módulo amarelo (suposta segunda divisão).

O Clube dos 13 dizia que não disputaria o cruzamento, a CBF dizia que haveria o cruzamento. Essa confusão reforçou-se porque o representante do Clube dos 13 na CBF, Eurico Miranda, aceitou o acordo com a CBF e assinou o regulamento com o cruzamentos dos módulos.

Quando informou a direção do Clube dos 13, este recusou veementemente. O campeonato começou com a CBF dizendo que haveria o cruzamento, o Clube dos 13 dizendo que não aceitava e que não disputaria.

Nesse ínterim, o Brasil inteiro assistiu à Copa União como o Campeonato Brasileiro de verdade. A TV Globo transmitia para o Brasil inteiro um jogo por rodada, sorteado quinze minutos antes da partida começar, às 17h do domingo. Pernambuco também vivia a Copa União deste jeito, porque acompanhava o Santa Cruz no torneio.

O Flamengo venceu o Brasileirão, a Copa União, em 13 de dezembro de 1987. No mesmo dia, o presidente do Flamengo, Márcio Braga, um dos líderes da criação do Clube dos Treze, reafirmou que não haveria cruzamento.

Enquanto isso, no mesmo dia, Guarani e Sport se classificaram para a decisão do Módulo Amarelo, decidido nos pênaltis. Houve dois campeões daquela suposta segunda divisão, porque o empate persistiu até chegar aos 11 x 11, nas cobranças de pênalti.

Os dois presidentes, então, decidiram que o torneio terminaria empatado. Sport e Guarani foram proclamados campeões empatados do Módulo Amarelo pela CBF. Tinham a perspectiva de disputar o cruzamento com Internacional e Flamengo.

No início de 1988, a CBF fez a tabela. Sport e Guarani entravam em campo nas partidas marcadas contra Inter e Flamengo. Sem adversário, eram proclamados vencedores por W.O. Na decisão do "Campeonato Brasileiro", o Sport enfrentou o Guarani, empatou o jogo de ida por 1 x 1, em Campinas, venceu no Recife por 1 x 0, gol do zagueiro Marco Antônio. A CBF proclamou o Sport campeão brasileiro de 1987.

Agora vai minha opinião:

O Flamengo é o campeão legítimo de 1987, porque o Brasil inteiro acompanhou a Copa União como o Campeonato Brasileiro.

Mas é preciso contar a história inteira. Por isso sempre defendi a publicação das listas de campeões com um asterisco e os nomes dos dois clubes. Isso já acontece em diversos outros campeonatos ao longo da história deste país sem memória: Fluminense e Botafogo campeões cariocas de 1907, Vasco e Fluminense campeões cariocas de 1924 e 1936, Santos e Portuguesa campeões paulistas em 1935 e 1973…

Ler estas listas com dois campeões não exclui que este blogueiro julgue o torneio mais reconhecido na época o vencido pelo rubro-negro do Rio de Janeiro. Mas permite a quem não viveu aqueles dois anos  conhecer a história.

Pode apostar que daqui a mais trinta anos, vai haver um asterisco nas listas de campeões e o ano de 1987 terá ao lado do número os nomes dos dois clubes: Flamengo e Sport.

Sobre o Autor

Paulo Vinicius Coelho é jornalista esportivo, blogueiro do UOL, colunista da Folha de S. Paulo. Cobriu seis Copas do Mundo (1994, 1998, 2006, 2010, 2014 e 2018) e oito finais de Champions League, in loco. Nasceu em São Paulo, vive no Rio de Janeiro e seu objetivo é olhar para o mundo. Falar de futebol de todos os ângulos: tático, técnico, físico, econômico e político, em qualquer canto do planeta. Especializado em futebol do mundo.

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O blog tem por objetivo analisar o futebol brasileiro e internacional em todos os seus aspectos (técnico, tático, político e econômico), sempre na tentativa de oferecer uma visão moderna e notícias em primeira mão.

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