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Com técnicos estrangeiros, Brasil volta ao cenário pré-Copa 58

PVC

26/12/2019 03h38

Para muita gente, parece inédito o movimento dos técnicos estrangeiros do futebol brasileiro.

Não é.

Entre a derrota da Copa de 1950 e a vitória em 1958, o Brasil teve uma febre de técnicos nascidos em outros países nos principais clubes do país.

Gente como o argentino Jim López, o paraguaio Fleitas Solich, o húngaro Bela Gutman, o italinao Caetano Di Domenico, o uruguaio Ventura Cambom, o argentino Alfredo González ou o espanhol Abel Picabéa.

Não foi um movimento exclusivamente motivado pela derrota na Copa do Mundo de 1950, o Maracanazo, contra o Uruguai.

Mas a soma dos técnicos de outras nacionalidades nos anos 1940, aqui, somou-se à busca pro novas soluções no início da década de 1950.

De certo modo, é semelhante ao que acontece agora, com clubes procurando soluções internacionais, poucos anos depois do 7 x 1. Ainda que seja necessário lembrar que, depois da derrota para a Alemanha, houve Paulo Bento no Cruzeiro (18 jogos), Ricardo Gareca no Palmeiras (13 jogos), Diego Aguirre no Internacional (48 jogos), Atlético Mineiro (31 jogos) e São Paulo (43 jogos), Reinaldo Rueda no Flamengo (31 jogos).

O Fluminense só teve técnicos estrangeiros entre 1938 e 1945. Foram sete: Ondino Vieira, Arno Franck, Athauel Velásquez, Humberto Cabelli, Hector Cabelli, outra vez Humberto Cabelli e, de novo, Ondino Vieira.

O time mais estrangeiro do Brasil, antes do Corinthians de Tévez, Mascheerano e Daniel Passarella, foi o São Paulo campeão paulista de 1953: Poy (argentino), De Sordi e Mauro; Pé de Valssa, Bauer e Alfredo Maurinho, Albella (argentino), Gino, Negri (argentino) e Teixeirinha.

Depois da derrota de 1950 e até a Copa de 1958, a lista de treinadores internacionais era enorme

o Flamengo teve Cândido de Oliveira, português, em 1950, e Felitas Solich, paraguaio, entre 1953 e 1959.

O São Paulo teve o argentino Jim López em 1953 e o húngaro Bela Gutman em 1957.

O Palmeiras teve o argentino Jim López em 1950, o uruguaio Ventura Cambom em 1951, o espanhol Abel Picabéa em 1952, o uruguaio Ondino Vieira em 1953, de novo Ventura Cambon em 1954.

O Santos contratou o italiano Giuseppe Ottina, em 1954. Antes, o uruguaio Luiz Comittante, em 1951.

O Interacional, que já tinha montado seu grande Rolo Compressor com o uruguaio Ricardo Diez, em 1942, se montou com Alfredo González, em 1950.

O Grêmio teve o húngaro Laszlo Szekely, em 1954.

O Atlético Mineiro trabalhou com Ondno Vieira (1954-1955), o uruguaio Ricardo Diez (1955-1956).

O húngaro Giula Mandy foi recepcionado pelo América, em 1957.

Há diferença com aquele período, por vários dos citados se radicaram aqui. Casos do argentino Jim López e do uruguaio Conrado Ross, que terminaram suas carreiras como jogadores no Brasil e se mantiveram aqui.

Mas vários, como os húngaros Gyula Mandi, Bela Gutman e Laszlo Szekely, ou o uruguaio Luiz Comittante, vieram do exterior.

Vicente Feola foi assistente do húngaro Bela Gutman em 1957. No ano seguinte, o Brasil ganhou a Copa do Mundo.

 

 

Sobre o Autor

Paulo Vinicius Coelho é jornalista esportivo, blogueiro do UOL, colunista da Folha de S. Paulo. Cobriu seis Copas do Mundo (1994, 1998, 2006, 2010, 2014 e 2018) e oito finais de Champions League, in loco. Nasceu em São Paulo, vive no Rio de Janeiro e seu objetivo é olhar para o mundo. Falar de futebol de todos os ângulos: tático, técnico, físico, econômico e político, em qualquer canto do planeta. Especializado em futebol do mundo.

Sobre o Blog

O blog tem por objetivo analisar o futebol brasileiro e internacional em todos os seus aspectos (técnico, tático, político e econômico), sempre na tentativa de oferecer uma visão moderna e notícias em primeira mão.

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