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As perguntas para Neymar
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Neymar não é o culpado pela derrota do Brasil e o objetivo desta conversa não é acusá-lo.

Mas quem analisa futebol tem por obrigação analisar o momento da carreira de um dos melhores jogadores de futebol do planeta.

Daí a insistência para que, como referência de um time que pretendia ser campeão do mundo, Neymar parasse para responder perguntas importantes para o fortalecimento da seleção brasileira para as próximas competições. Importantes para quem o julga uma figura importante conhecer sua opinião.

Mas ele pensa que todos estão surdos. E cegos. E por isso não fala.

Nem em entrevista coletiva depois da derrota para a Bélgica, nem na chegada ao Brasil.

O exercício aqui, então, é listar perguntas que poderiam ser respondidas por ele, se não estivéssemos num tempo em que não fosse tão difícil falar com um jogador de futebol, quanto era falar com Frank Sinatra quando Gay Talese fez o brilhante perfil do astro da músia: ''Frank Sinatra está resfriado.''

Um perfil sobre Neymar é possível fazer, mesmo sem falar com ele. Gay Talese ensinou.

A seguir, as perguntas sem respostas:

1. Um protagonista da seleção da Copa do Mundo não deve se pronunciar sobre a derrota? Por quê?
2. Como você analisa a participação da seleção brasileira na Copa do Mundo?
3. E a sua participação?
4. Qual foi o melhor jogador do Brasil na Copa do Mundo?
5. Você foi caçado na Copa?
6. Como você analisa o fato de quatro capas de jornais europeus terem se referido à derrota do Brasil com menções às suas quedas no campo. O diário português ''A Bola'' escreveu: ''Caiu de ve!''
7. Como você avalia a arbitragem da Copa do Mundo?
8. Você acha que a ideia generalizada de que você caía em lances em que poderia se manter em pé pode ter prejudicado o Brasil em jogadas como a do possível pênalti em Gabriel Jesus?
9. O que o futebol apresentou de diferente na Copa do Mundo da Rússia?
10. Está mais difícil achar espaço para driblar?
11. Qual o melhor jogador da Copa do Mundo?
12. Quem deve ser o técnico da seleção brasileira no ciclo 2018-2022?
13. Tite errou na análise do jogo contra a Bélgica ou demorou para fazer alterações?
14. Você acha que estará na lista dos três melhores do mundo da Fifa de 2018? Isso é importante para você?

15. Qual o maior objetivo de sua carreira atualmente?

Por favor, mande mais perguntas que você julgue relevantes e tenham faltado na lista acima.


Geração de craques contrapõe futebol local pobre e põe Croácia na semi
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O Campeonato Nacional da Croácia tem 2.948 pagantes por jogo. Não é o ambiente do futebol local o que empurra o time para sua segunda semifinal. É a alma de uma geração que sabia ter uma dívida. Em Mostar, onde nasceu Luka Modric, o capitão, o jornal L'Equipe retrata que há uma faixa dizendo que mesmo ganhando a Copa ele será a vergonha do país. Tudo porque perdeu pênalti contra a Turquia, nas quartas-de-final da Eurocopa de 2008.

A geração de Rakitic, Mandzukic, Corluka, Vida, Subasic fracassou na tentativa de avançar da fase de grupos nas Copas de 2006 e 2014, também nas oitavas-de-final da Eurocopa, eliminada por Portugal na prorrogação e na fase de grupos da Euro 2012.

Antes da Copa do Mundo, os jornalistas croatas diziam que os jogadores assumiam para eles este desafio, o de avançar com uma campanha histórica. A Croácia não é a herdeira da Iugoslávia, porque a Fifa atribui à Sérvia essa herança. Mas é responsável por boa parte da geração de Prosinecki, Boban e Suker, todos campeões mundiais sub-20 pela velha seleção iugoslava.

A partida foi heróica. A Rússia fez 1 x 0 com Cheryshev e Mandzukic — grande atuação — deu o passe para Kramaric empatar no primeiro tempo. Na prorrogação, o zagueiro Vida deixou a Croácia perto da classificação, mas Mário Fernandes recebeu passe preciso de Dzagoev para empatar.

A decisão por pênaltis produz o recorde desse tipo de desempate na história das Copas. São quatro, empate com as edições e 1990 e 2014.

RÚSSIA 2 x 2 CROÁCIA – 15h, 21h
Local: Fisht Stadium (Socchi); Juiz: Sanddro Meira Ricci (Brasil); Gols: Cheryshev 32, Kramaric 40 do 1º; Vida 10 do 1º da prorrogação; Mário Fernandes 9 do 2o da prorrogação; Cartão amarelo: Lovren, Vida, Gazinsky
RÚSSIA (4-4-2): 1. Akinfeev (6), 2. Mário Fernandes (7,5), 3. Kutepov (5), 4. Ignashevich (6) e 13. Kudryashov (6); 7. Kuzyaev (7) e 11. Zobnin (5,5); 19. Samedov (5,5) (21. Yerokin 9 do 2º (5)) e 6. Cheryshev (7) (10. Smolov 22 do 2º); 17. Golovin (6) (9. Dzagoev 12 do 1º da prorrogação (sem nota)) e 22. Dzyuba (7) (8. Gazynski 34 do 2º (5)). Técnico: Stanislav Cherchesov
CROÁCIA (4-2-3-1): 23. Subasic (8), 2. Vrsalijko (6,5) (5. Corluka 6 do 1º da prorrogação (sem nota)), 6. Lovren (6), 21. Vida (7,5) e 3. Strinic (6) (22. Prvaric 28 do 2º); 7. Rakitic (5) e 10. Modric (5,5); 4. Perisic (6) (11. Brozovic 18 do 2º), 9. Kramaric (6,5) (8. Kovacic 43 do 2º (sem nota)) e 18. Rebic (6,5); 17. Mandzukic (7,5). Técnico: Zlatko Dalic
Nos pênaltis – Smolov (Subasic), Brozovic (Gol), Dzagoev (Gol), Kovacic (Akinfeev), Mário Fernandes (Fora), Modric (Gol), Ignashevich (Gol), Vida (Gol), Kuzyaev (Gol), Rakitic (Gol)
Posse de bola – 35% x 65% – Finalização – 10 x 16
Homem do jogo Fifa – Subasic
Homem do jogo PVC – Subasic


O futebol volta para casa
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Football comes home. O slogan da Eurocopa 1996 era este e foi a última semifinal inglesa em qualquer grande competição interacional. Vinte e dois anos depois, o English Team volta às finais, conduzido pelo técnico improvável, Gareth Southgate, e pelas bolas paradas. Dos onze gols marcados pela equipe de Gareth Southgate, nove foram de bola parada. Nenhum time depende tanto de faltas, escanteios e laterais quanto a Inglaterra.

Mas voltar à semifinal depois de 28 anos também tem a ver com o ambiente de futebol que se criou no país. Nove titulares da Bélgica jogan na Premier League, quatro da França e onze da Inglaterra. Significa que 24 dos 33 titulares atuam no Campeonato Inglês.

Criou-se, por isso, o grande ambiente do futebol no mundo. Quando os melhores estão no campeonato, nem a crítica pode ser rasa. A conversa tem de ser profunda do vestiário ao programa de TV.

A seleção inglesa colhe os frutos da cultura do futebol que o país respira.

Sábado, 7/julho/2018
SUÉCIA 0 x 2 INGLATERRA – 11h, 17h

Local: Cosmos Arena (Samara); Juiz: Bjorn Kuipers (Holanda); Público: 39.951; Gols: Maguire (cabeça) 30 do 1º; Dele Alli 11 do 2º;
SUÉCIA (4-4-2): 1. Olsen (5,5), 16. Krafth (5), 3. Lindelof (5,5), 4. Granqvist (6) e 6. Augustinsson (6); 17. Claesson (6,5), 7. Sebastian Larsson (6), 8. Ekdal (5,5) e 10. Forsberg (6) (5. Martin Olsson 20 do 2º (5)); 9. Berg (6) e 20. Toivonen (4) (11. Guidetti 20 do 2º (5)). Técnico: Janne Andersson
INGLATERRA (3-5-2): 1. Pickford (6,5), 2. Walker (6), 5. Stones (6) e 6. Maguire (6,5); 12. Trippier (7), 7. Lingard (7), 8. Henderson (6,5) (4. Dier 40 do 2º (sem nota)), 20. Dele Ali (7,5) (17. Delph 32 do 2º (sem nota)) e 18. Ashley Young (6); 10. Sterling (4) (19. Rashford 45 do 2º (sem nota)) e 9. Harry Kane. Técnico: Gareth Southgate
Posse de bola – 7 x 12 – Finalizações – 43% x 57%
Homem do jogo Fifa – Pickford
Homem do jogo PVC – Dele Alli


Por Neymar, o mundo seria mudo
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Neymar saiu do jogo contra a Costa Rica, quando fez gol e chorou, dizendo na zona mista: ''Hoje, não, parceiro, hoje não!''

Do meu lado, alguém murmurou: ''Se hoje não, então quando?''

Então nunca!

A culpa da derrota não é dele.

Mas por que não fala se é o craque do time, o melhor do mundo do ano que vem, e se não for no ano que vem será no ano que vem, e depois no século que vem, ele também não fala.

Mas também não quer que falem dele.

O mundo está falando. Rolando de rir.

E Neymar não fala.

Por ele, o mundo seria mudo, surdo e cego.

Só que não.


Tite disse em dezembro que bola parada podia eliminar Brasil
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Em dezembro de 2017, em entrevista ao FOX Sports, Tite alertou para um detalhe que separava o Brasil do sexto título mundial.

''Se tu perceberes, o Brasil sofreu o primeiro gol de bola parada, nas três eliminações mais recentes de Copa do Mundo.''

Tite citou o gol de Henry, em Brasil 0 x 1 França, 2006, o gol de Sneijder, em Holanda 2 x 1 Brasil, 2010, e o primeiro gol da Alemanha nos 7 x 1 do Mineirão.

Na ocasião, Tite foi lembrado por este colunista que, àquela altura, o Brasil tinha sofrido cinco gols sob seu comando e quatro de bolas paradas. Três de escanteios e um de pênalti. Outro de bola cruzada pelo alto para a grande área, marcado por Radamel Falcão Garcia em Colômbia 1 x 1 Brasil.

A questão se seguiu. O Brasil sofreu oito gols em 26 jogos sob o comando de Tite. Poucos gols sofridos. Sete de bola parada, sendo um de pênalti e o oitavo no contra-ataque que permitiu a De Bruyne o segundo gol da Bélgica.

Roberto Martinez chamou sua alteração tática de ousada. Foi decisiva. De Bruyne como falso nove destruiu o jogo, junto com Lukaku pela direita e Hazard pela esquerda.

Mas o Brasil levou o gol do início da derrota, pela quarta Copa seguida, de bola cruzada na área. E se saltar 2002, Copa vencida, em 1998 a derrota para a França começou do mesmo jeito.


Bélgica mereceu vencer por mudança tática que Brasil demorou a entender
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A Belgica tem um time muito forte, mas não é justo dizer que foi o primeiro teste real do Brasil. Pensar assim é não entender por que a Bélgica está na semifinal. Porque faz parte de uma elite muito mais ampla, com 72% dos jogadores presentes à Copa jogando em ligas do exterior.

Houve um erro de diagnóstico da comissão técnica no início da partida. Havia o entendimento de que De Bruyne continuaria jogando como segundo volante e que como marca pouco, o Brasil poderia usar o funil às suas costas.

Só que Roberto Martínez inverteu Fellaini com De Bruyne, o que estava claro desde que as primeiras prévias começaram a aparecer. Este blog falou sobre esta inversão na manhã desta sexta-feira.

De Bruyne destruiu o jogo. Deu o passe para Fellaini finalizar a jogada que resultou no escanteio. Cobrado, virou gol da Bélgica, contra de Fernandinho.

De Bruyne seguiu por mais vinte minutos solto e foi dele o segundo, marcado aos 30 minutos, contra-ataque cantado.

Das quatro eliminações precoces da seleção brasileira, esta foi a mais valente. Está claro. O Brasil teve 57% de posse de bola, 66% no segundo tempo, chutou 26 vezes, sofreu oito finalizações. A estatística que conta é: Brasil 1 x 2 Bélgica.

A desclassificação é sofrida, porque o trabalho foi bom. Tem de continuar.

BRASIL 1 x 2 BÉLGICA – 15h, 21h
Local: Arena Kazan (Kazan); Juiz: Mirolad Mazic (Sérvia); Público: 42.873; Gols: Fernandinho (contra) 13, De Bruyne 31 do 1º; Renato Augusto 30 do 2º; Cartão amarelo: Alderweireld, Meunier, Fágner
BRASIL (4-1-4-1): 1. Alisson (6), 22. Fágner (6), 2. Thiago Silva (6,5), 3. Miranda (7,5) e 12. Marcelo (4); 17. Fernandinho (4); 19. Willian (5,5) (20. Firmino, intervalo (6)), 15. Paulinho (6) (8. Renato Augusto 28 do 2º (7)), 11. Coutinho (7,5) e 10.Neymar (5,5); 9. Gabriel Jesus (5) (7. Douglas Costa 12 do 2º (7)). Técnico: Tite
BÉLGICA (4-3-3): 1. Courtois (7,5), 15. Meunier (6,5), 2. Alderweireld (6), 4. Kompany (6,5) e 5. Vertonghen (6); 8. Fellaini (6,5), 6. Witsel (6,5) e 22. Chadli (6,5) (3. Vermaelen 37 do 2º (5)); 9. Lukaku (7,5) (17. Tielemans 41 do 2º (sem nota)), 7. De Bruyne (8,5) e 10. Hazard (7,5). Técnico: Roberto Martínez
Posse de bola – 57% x 43% – Finalizações – 26 x 8
Homem do jogo Fifa – De Bruyne
Homem do jogo PVC – De Bruyne


Francês mais uruguaio derruba a Celeste
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Antoine Griezmann foi o melhor jogador em campo em Franca 2 x 0 Uruguai. Fez o cruzamento para o gol de Varane e marcou o segundo, frango de Muslera.

Durante toda a semana, Griezmann foi chamado de o mais uruguaio dos franceses. Virou o menos charrua ao eliminar o pais de seus amigos.

Como o treinador Martin Lasarte, que o escalou pela primeira vez na Real Sociedad, a contragosto dos dirigentes que o julgavam franzino demais.

Ou Gimenez e Godin, amigos do Atletico de Madrid, que o ensinaram a tomar o mate que consome todos os dias.

Um de seus amigos foi protagonista de uma das cenas da Copa. Gimenez chorou enquanto jogava e figurava na barreira. O choro redime? Ou pode apenas quando a derrota tornou-se inevitável.

Sexta-feira, 6/julho/2018
URUGUAI 0 x 2 FRANCA – 11h, 17h
Local: Arena Nizhni Novgorod (Nizhni Novgorod); Publico: 43.319; Gols: Varane 40 do 1.; Griezmann 16 do 2o; Cartao amarelo: Betancur, Mbappe
URUGUAI (4-4-2): 1. Muslera (4), 22. Martin Caceres (5,5), 2. Gimenez (6), 3. Godin (5) e 17. Laxalt (6); 8. Nandez (6) (20. Urretaviscaya 23 do 2o (sem nota)), 14. Torreira (6,5), 15. Vecino (6,5) e 6. Betancur (5) (7. Cristian Rodriguez 23 do 2o (5)); 11. Stuani (5) (18. Maxi Gomez 23 do 2o (5)) e 9. Luis Suarez (6,5). Tecnico: Oscar Tabarez
FRANCA (4-2-3-1): 1. Lloris (6,5), 2. Pavard (5), 4. Varane (7), 5. Umtiti (6) e 21. Lucas Hernandez (6); 13. Kante (7) e 6. Pogba (7); 10. Mbappe (6,5) (11. Dembele 45 do 2o (sem nota)), Griezmann (7,5) (18. Fekir 45 do 2o (sem nota)) e 12. Tolisso (6) (15. Nzonzi 35 do 2o (sem nota)); 9. Giroud (6). Tecnico: Didier Deschamps
Posse de bola – 42%x58% – Finalizacoes – 11 x 11
Homem do jogo Fifa – Griezmann
Homem do jogo PVC – Griezmann


Bélgica pode liberar De Bruyne para jogar no ataque
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Todas as prévias feitas por jornais internacionais prevê a Bélgica com Fellaini no lugar de Mertens, Chadli na vaga de Ferreira Carrasco. Também tratam essa provável escalação como mais defensiva. É. Só que permite a leitura de que Roberto Martínez pode liberar De Bruyne para jogar perto do ataque.

No Campeonato Inglês, De Bruyne marcou oito gols e deu 16 assistências, recorde entre todas as grandes ligas da Europa.

Mas não conseguiu ainda fazer uma boa Copa do Mundo. Seu único passe para gol foi belíssimo e deixou Lukaku frente a frente com o goleiro Penedo, do Panamá. Depois, parou.

Mais solto, mais perto de Lukaku, pode se tornar mais perigoso do que foi até agora na Copa do Mundo.

Jogar com Fellaini e Chadli não será necessariamente mais defensivo para a Bélgica.


Posse de bola ganhou Copas mas derrete favoritos na Rússia
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Há quatro anos, a Copa do Mundo do Brasil foi vencida pela Alemanha, recordista no critério posse de bola durante o torneio. A vice-campeã, Argentina, foi também a segunda colocada em posse de bola, segundo levantamento do jornal L'Equipe. Há uma conta diferente do Footstats, para quem as três melhores médias de posesión, como se diz na Espanha, foram da Itália, Japão e Espanha, todas eliminadas na fase de grupos.

Levando em consideração o ranking publicado na edição de hoje do L'Equipe, as duas últimas Copas do Mundo foram vencidas pela seleção que mais controlou o jogo com bola no pé. Em 2010, a Espanha teve 64,1% de posse de bola. Em 2014, a Alemanha venceu com 66,7%.

A reversão dessa tendência começou na Eurocopa 2016. Portugal foi campeão e teve 44% de posse de bola. Apenas 15 dos 51 jogos foram vencidos por quem teve mais bola no pé (29%). Na Rússia, só 24 dos 56 jogos foram vencidos por quem controlou a bola (42%).

Nesta Copa do Mundo, os oito classificados para as quartas-de-final figuram no ranking abaixo do terceiro lugar. O Brasil é o quarto, a Bélgica o quinto colocado nesse critério. Ambos se enfrentam em Kazan às 15h desta sexta-feira em busca de uma vaga nas semifinais e lideram outro ranking da Copa do Mundo: finalizações.

Os belgas lideram com 74 chutes ao gol, contra 71 do Brasil. Em média, quem ganha nesse critério é a Alemanha, já eliminada: 22,3 por partida. A Bélgica chuta 18,3 e o Brasil 17,8 a cada noventa minutos. Em 2014, a Alemanha foi a 11a colocada em média de finalizações.

O portal Footstats detecta que o Campeonato Brasileiro raramente é vencido pelo time com mais posse de bola. O número de finalizações é mais decisivo. O Flamengo é o líder do Brasileirão e o time que mais finaliza. É semelhante a situação na Premier League, onde o Manchester City foi o primeiro campeão da década com liderança na posse de bola. Na Espanha e na Alemanha, o campeão normalmente é quem tem mais a bola, provavelmente porque Bayern e Barcelona, hegemônicos nesta década, usam a bola no pé como premissa da construção de seu jogo.

Está claro que o problema na Rússia não é ter ou não ter a bola, mas inventar vazios nas defesas adversárias para fazer gols. A Bélgica é quem mais finaliza e tem o melhor ataque. O Brasil é o segundo em número de chutes a gol, mas apenas o quinto ataque. A Copa de 2014 foi vencida pelo time de melhor ataque. A de 2010, pela melhor defesa.

Abaixo, a posição no ranking de posse de bola dos oito finalistas e os três primeiros colocados nesse critério:
1. Espanha – 71,3%
2. Alemanha – 67,3%
3. Argentina – 62,8%
4. Brasil – 58,0%
5. Bélgica – 56,8%
9. Inglaterra – 53,5%
10. Croácia – 53,0%
15. França – 50,3%
18. Uruguai – 48,3%
21. Rússia – 40,5%
23. Suécia – 37,8%


Albert, craque belga dos anos 90, diz que Brasil é favorito ao título
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Comentarista do canal belga RTBF, o ex-zagueiro Phillip Albert conversou com este blog por quinze minutos. Ele está em Moscou, a caminho de Kazan, de onde comentará o jogo Brasil x Bélgica. Albert disputou as Copas do Mundo de 1990 e 1994, eliminado nas oitavas-de-final nas duas campanhas, mas sempre contra ex-campeões mundiais. Em 1990, contra a Inglaterra, gol de David Platt na última bola do jogo, em 1994, contra a Alemanha, com um 3 x 2 em que o próprio Alberto colocou pressão sobre os último campeões do mundo ao marcar no último minuto do jogo e permitir imaginar o empate nos acréscimos.

Por telefone, Albert falou sobre a seleção belga e sua crença em que, num dia bom, o Brasil possa ser eliminado. Mas deixou claro o que pensa sobre o favoritismo para a Copa: ''O Brasil é o time mais organizado.''

PVC – O que você pensa do jogo Brasil x Bélgica?
ALBERT –
Acho que o Brasil é favorito. É um time muto forte. Tem excelente defesa, um meio-de-campo consistente e tem Neymar, um dos melhores do mundo. A diferença deste Brasil para outros é que é muito forte, muito sólido. Não joga mais como nos anos 1960 ou 1970, mas é uma equipe tão forte quanto as europeias, em termos de organização.

PVC – Quando você diz que não joga como nos anos 1960 ou 1970, isto é bom ou ruim?
ALBERT –
É bom. O futebol está diferente do que já foi e é preciso entender isto. Digo que não joga como jogou em 1970, quando tinha Pelé, Carlos Alberto, Garrincha (sic). Por outro lado, é uma equipe de organização excelente. Espanha, Alemanha e Brasil são os times mais fortes do mundo e com as quedas de Alemanha e Espanha, o Brasil é o favorito para ganhar o título mundial.

PVC – Como a Bélgica se relaciona com o jogo de 2002 e com o gol anulado de Wilmots?
ALBERT –
Isto é passado e não vivemos do passado. Acho que naquela época o Brasil tinha uma equipe formidável, com Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho e venceu porque mereceu vencer. Não temos de pensar nisso, mas na possibilidade de fazer um grande jogo e de o Brasil não estar no seu melhor dia.

PVC – Você acha que a geração belga é apenas uma grande geração ou que isso gerará muitos times fortes da Bélgica no futuro?
ALBERT –
Acho que é uma grande geração. E é por isso que pensamos que dependemos de um grande jogo e de o Brasil não estar no seu melhor nesse dia. Se o Lukaku tiver uma grande atuação, se houver uma grande participação de Hazard, de De Bruyne, a Bélgica pode ganhar o jogo e chegar à sua segunda semifinal. Acho que temos uma grande geração e que vai durar por mais dez anos.

PVC – Que diferença esta Copa do Mundo mostra em relação a quando você jogou Copas, em 1990 e 1994?
ALBERT –
O espaço está muito menor. Os times taticamente estão jogando em pedaços de campo muito restritos. Daí você precisar marcar e atacar sabendo exatamente o que está fazendo.